Com certeza essa era a pior decisão que um dia esteve nas mãos de Luan, ele amava Bia como nunca amou ninguem, depois de nutrir tantas esperanças, mas a vendo do mesmo jeito todos os dias, e o tempo passando, ele e todos a sua volta sofrendo, estava sendo dificil para ele e para todos, e essa decisão teria de ser muito bem pensada.
-Eu não quero que ela vá assim doutor-diz Luan a olhando e se aproximando dela-eu quero alguns dias para pensar-segura na mão de Bia-mas minha resposta por enquanto é não
-Tudo bem, você quem decide, só lhe digo para começar a se desapegar dela, e é bom que os seus familiares façam o mesmo, porque quanto mais vocês criam esperanças, mais dificil vai ser quando ela partir definitivamente, então pensa no melhor para vocês, porque ela já não sente mais dor nem emoções, os unicos que choram e sofrem são vocês
O doutor e toda a sua equipe sai do quarto deixando Luan a sós com Bia, e ele desaba a chorar apertando a mão dela e encostando seus rostos.
-Porque você não reage meu amor? faz tanto tempo que eu espero por isso, só aperta minha mão se esta me ouvindo, pode ser bem de leve, mostra que você ainda está ai meu amor, mostra que todo esse tempo que eu passei aqui com você não foi em vão, reage meu amor-Luan segurava a mão dela e a alisava na esperança dela a apertar-pode apertar minha mão meu amor, eu estou aqui, seu marido, seu unico homem-ele segurava a mão dela e a olhava esperançoso mas ela não demonstrava nenhuma reação-eu te amo Bia, você é minha vida-beijou de leve a mão dela-volta pra mim, acaba com todo esse sofrimento, eu não aguento mais viver sem você
Mais uma vez ele chorava feito criança ali grudado nela, Luan estava sofrendo muito mais do que imaginavam, e a opção de deixa-la partir com seu consentimento era o que mais pesava em seu coração, ele não se via em um mundo onde ela não existiria mais. Depois de ficar um bom tempo sozinho com Bia, logo Gustavo aparece com Enzo, e o pequeno vai correndo para o colo do pai, que estava com o rosto inchado de tanto chorar.
-Papai você tava chorando de novo?-diz Enzo alisando o rosto do pai
-Não é nada de mais meu filho-Luan beija a testa dele disfarçando-veio ver a mamãe?
-Vim falar tchau para ela, porque o tio Gu vai me levar para casa
-Espera ai Enzinho, tambem quero dar um beijo na minha linda maninha-diz Gustavo ficando ao lado da irmã e pegando na mão dela-oi maninha, sou eu seu irmão mais lindo e preferido, te amo muito minha loira-beija a mão da irmã-vê se volta logo, porque ta dificil suportar esse seu marido e essa variação de humor dele-diz olhando para Luan que revira os olhos
-Papai me ergue-Enzo pede a Luan, que o coloca sentado na cama da mãe-oi de novo mamãe, eu comi pastel de queijo, e depois o tio Gu me deixou comer chocolate, eu trouxe um para você mas ele disse que você não pode comer, então vou dar ele para o papai ta bom, não fica triste que quando você acordar eu vou te dar muito chocolate
Luan sorria vendo o quanto o filho era carinhoso com a mãe.
-Sua mãe vai adorar ganhar chocolate de você Enzo, mas agora você precisa ir com seu tio garotão-diz Luan
-Ha papai, é legal ficar aqui, porque eu não posso dormir junto com a mamãe igual eu durmo com você?
-Porque aqui não é lugar de criança dormir, só quando ta doente
-Eu não tô doente não
-Por isso você não pode ficar aqui meu filho, amanhã o papai vai para casa e a gente vai passar o dia todo juntos fazendo o que você quiser
-Oba-Enzo comemora-promete mesmo?
-O papai promete-Luan beija a testa dele-agora da um beijo na mamãe para você ir com seu tio
-Tchau mamãe-Enzo beija todo delicado o rosto dela-te amo muito, fica triste não que logo eu volto, mas o papai vai ficar aqui cuidando de você
-Agora da um abraço bem forte no papai-diz Luan o pegando no colo e o abraçando
-Tchau papai, te amo muito, cuida da mamãe, e não esquece que vai ficar o dia todo comigo amanhã
-Não esqueço não-Luan beija o rosto dele-papai te ama muito, e obedece a sua vó
-Eu sou muito obediente papai-Enzo sorri se gabando
-Sei bem-Luan ri e o desce do seu colo
-Vamos Enzinho, seu pai precisa de descanso-diz Gustavo após dar um beijo na irmã
-Leva meu filho com cuidado viu-Luan o da um toque nas costas
-Eu sou a pessoa mais segura do mundo cunhadinho, e você cuida dela-aponta para Bia-se por acaso algum milagre acontecer nos avise
-É o que eu mais sonho todos os dias-Luan suspira-vão com Deus
-Fica com Ele tambem-diz Gustavo
-Vamos logo tio-Enzo o puxava-acho que minha vó comprou sorvete para mim
-Ok mini guloso, a gente já vai
-Tchau papai-Enzo corre até Luan e o da mais um beijo
-Tchau meu amor-Luan ri vendo o quanto o filho era esperto
Depois de se despedirem de Luan, Gustavo finalmente levou Enzo embora, e outra vez aquele quarto vazio, representava o que se passava dentro de Luan, e lágrimas rolavam de seu rosto vendo que sua amada continuava do mesmo modo. Durante essa noite, fazia muito frio, Luan que acabou dormindo todo torto sentado na cadeira e debruçado na cama de Bia acordou com o barulho do vento lá fora, e foi fechar uma das janelas do quarto que estava aberta e o vento que entrava no quarto o fazia tremer de tanto frio. Após fechar a janela, Luan viu que o corpo de Bia estava muito gelado, pegou uma das mantas que ficava em um pequeno armário no quarto e a cobriu.
-Pelo menos frio você não passa-beijou a testa dela e fez carinho em seu rosto
O frio só parecia aumentar, havia naquele mesmo armário algumas blusas de Luan devido ele ficar sempre ali, e mesmo colocando duas blusas de frio ele ainda tremia.
-Que frio é esse, você ta bem meu amor? quer que eu esquente você?-diz Luan olhando para Bia
Mais uma vez ele pega um cobertor mais grosso, e como fazia muito frio, ele sobe com cuidado na cama de Bia, e como fazia ás vezes quando sentia saudade de dormir com seus corpos colados, a abraça e se ajeita aos poucos na cama os cobrindo.
-Eu amo tanto você-ele faz carinho nos cabelos dela-você continua a mulher mais linda do mundo para mim, a mais cheirosa, e com a pele mais suave, eu te confesso que não imaginava que dentro de mim existia tanto amor assim por você, que me faz perder noites de sono, que me faz chorar feito criança, que me faz pensar em cometer loucuras por esse amor, eu acho que sou muito forte por aguentar tudo isso por todo esse tempo, mas me desculpa meu amor, confesso que ultimamente venho fraquejando, e que todos a minha volta querem tirar essas forças de mim, de uma forma ou de outra estão conseguindo, e eu não sei o que fazer, se fosse você no meu lugar o que você faria?-a questiona já com lágrimas rolando-eu não sei se você iria até o fim por mim, pois eu estou indo até o fim por você, mas eu sinto que esse fim está proximo-Luan acaricia o rosto dela-eu apenas gostaria de saber o que você quer, quer deixar esse mundo? ou tentar lutar mais um pouco e reagir para ficar ao meu lado? sem você ta tão dificil, e se você me deixar agora eu acho que cometo uma loucura, porque passei três anos da minha vida vivendo totalmente por você, não faça isso ser em vão-Luan segura na mão dela por debaixo das cobertas e de leve a leva até o rumo de seu coração-esta sentindo? esse coração só esta batendo para me manter vivo, mas a outra metade dele esta aqui-ele põe sua mão no rumo do coração dela-e enquanto essa outra metade estiver apenas batendo igual o meu, eu não vou viver, mas sim somente sobreviver
O resto da noite Luan passou contando de seus sentimentos para Bia, chorando, e a fazendo carinho, para ele ainda era tudo tão dificil de lidar e aceitar, e quando estava quase amanhecendo ele finalmente pegou no sono.
No dia seguinte, Clarissa apareceu bem cedo no hospital como sempre fazia e se emocionou ao ver Luan dormindo abraçado com Bia, ele realmente a amava muito, e Clarissa era grata a ele por nunca abandonar a sua filha.
-Luan, acorda-Clarissa tentava o acordar aos poucos-já amanheceu
Depois de uns cinco minutos o chamando, Luan finalmente abre os olhos com a maior cara de sono e só ai percebe onde dormiu.
-Bom dia sogrinha-diz Luan olhando para Clarissa-bom dia meu amor-da um beijo no rosto de Bia
-Bom dia Luan, dormiu de novo ai?
-Pois é-ele sorri de canto-pelo menos de uma forma ou de outra, quase todas as noites eu durmo com a minha mulher-olha para Bia ao seu lado e suspira fundo
-Levanta dai, vai lá no banheiro lavar o rosto, e vai pra casa descansar, é minha vez de ficar com ela
-Eu realmente preciso ir pra casa, prometi que passaria o dia todo com o Enzo
-Então vai, aproveita bastante cada momento com seu filho Luan
Mesmo com muita dor no coração, Luan após dar mais um beijo carinhoso em Bia, se levanta aos poucos com ajuda de Clarissa, devido ali ser muito pequeno e ele ter medo de machucar Bia. Depois de se arrumar, Luan da um abraço apertado em Clarissa, só os dois sentiam a força que havia nesse abraço, com certeza era essa união que os dois nutriu que estava os fortalecendo.
-Cuida da minha princesa, se der mais tarde venho aqui com o Enzo, mas depende do humor dele hoje
-Pode deixar Luan, sempre cuido da minha menina, da um beijo no meu neto
-Dou sim-ele sorri de canto-tchau meu amor-da um beijo na testa de Bia-eu te amo-segura na mão dela-prometo que nem se for á noite eu venho aqui te ver, vai dar nem tempo de você sentir saudades-beija a mão dela
-Agora vai Luan-Clarissa o abraça-não adianta você querer ficar preso o dia todo aqui, seu filho precisa de você
-Eu sei-ele respira fundo-fica com Deus-abraça Clarissa outra vez e a da um beijo na testa
-Vai com Deus tambem
Logo Luan deixa aquele quarto, sempre com a esperança de retornar ali e ver Bia melhor, mas ás vezes ele tinha medo de chegar e a noticia não ser a que ele sempre sonhou em ouvir. Enquanto caminhava pensativo e cabisbaixo pelos corredores do hospital, Luan percebe o médico de Bia, e aquele que ele viu ontem no quarto dela entrarem com pressa em uma das sala dos hospital conversando sobre algo, uma curiosidade o despertou e ele se colocou atrás da porta para ouvir.
-Mas a familia paga caro para ela ficar internada aqui, principalmente o marido dela que é um cantor famoso, ele já pagou vários especialistas para ver o caso dela, mas ninguem nunca disse nada e sempre deixaram em branco essa questão se um dia ela vai acordar ou não-dizia o médico que cuidava de Bia
-Eu sempre fui muito sincero, e a pior coisa é fazer as familias nutrirem esperanças em um caso que não tem mais jeito, ela não vai voltar nunca mais, ontem mesmo eu estava a analisando, e ela é uma morta viva, a unica coisa que a mantem "viva"-diz fazendo aspas no ar-são aqueles aparelhos, se acontecer um apagão no hospital ela já era, e vocês sabem disso perfeitamente-diz o médico que conversou com Luan ontem
-Eu já tentei dar essa opção da familia aceitar desligar os aparelhos, mas sei lá, todo dia ela recebe visitas, até o filho dela que é pequeno vem a visitar e é o xodó das enfermeiras, eu tenho muita pena dessa familia, então por isso fui deixando o tempo passar para ver se por um milagre ela iria acordar
-Na realidade você só não os deu essa opção antes porque o marido dela paga pela internação dela aqui, vocês pensam no que vão ganhar, não no que eles estão passando, eu ontem fui claro com o marido dela, até o questionei se poderia fazer alguns exames nela, mas não é preciso nenhum exame para constatar que ela não sobrevive mais, já se passaram três anos, nunca vi um coma tão demorado, eu mesmo tive que vim ver com os meus proprios olhos se isso era real, mas me diz você que acompanha o caso dela desde o começo, ela não vai sobreviver?
-Na realidade não-diz o médico que acompanhava o caso dela, e do outro lado Luan derrama lágrimas ouvindo tudo isso-infelizmente ela sofreu lesões muito graves, e devido ficar todo esse tempo só "dormindo" todo o sistema interno do corpo dela parou, só o coração bate devido os aparelhos, nem o cérebro funciona mais, pois se funcionasse ela responderia aos estimulos que já tentamos fazer com uma maquina ligada ao cérebro dela, além de que as pernas e costas dela foram muito afetadas no acidente, ela iria acordar paraplégica, então não há mais esperanças nem chances dela sobreviver
-E porque você nunca contou isso a familia?
-Porque eles são de muita fé, eles ainda acreditam em um milagre
-Vou conversar outra vez com o marido daquela moça hoje, e você vai ter que o dizer tudo o que me disse, porque se não há mais chances de vida então é melhor que esses aparelhos sejam desligados logo
Luan não aguentava mais ouvir aquilo tudo e saiu de perto aos prantos, foi correndo até seu carro onde desabou chorando feito uma criança e dando murros no volante.
-NÃO, NÃO, NÃO EU NÃO PERMITO ISSO-chorava e gritava descontrolado-DEUS SE FOR LEVAR ELA ME LEVE JUNTO, PORQUE ME DEIXOU SOFRENDO ESSE TEMPO TODO? O QUE EU FIZ PARA MERECER ISSO? ME TIRE TUDO, SÓ NÃO ME TIRE ELA, PORQUE MEU DEUS? PORQUE?
E descontrolado, Luan ligou o carro acelerado e seguia sem rumo pela cidade deixando lágrimas rolar. Ele andou por volta de uma hora sem rumo com o carro e só parou em uma rua pouco movimentada, que ele nem sabia onde era pois estava acabando o cumbustivel do carro, e só então que ele notou várias chamadas perdidas em seu celular de sua mãe, outras de Bruna, e Bruna acabava de o ligar, ele pensou em não atender, mas acabou atendendo.
Ligação on.
-Oi-disse seco e com a voz embargada devido o choro
-Pi aonde você ta? seu filho acordou super cedo hoje, e ta aqui fazendo birra porque você não ta em casa
-Mais essa agora-diz Luan bufando e socando o volante
-Ta irritado porque?-Bruna o questiona-o Enzo quer falar com você, se for para descontar sua raiva no menino nem vou deixar ele falar aqui
-Passa logo a porra desse celular para ele Bruna-Luan respira fundo-deixa eu falar com meu filho
-Papai-diz Enzo com voz de choro
-Oi meu filho
-Cadê você papai? você disse que ia passar o dia todo comigo e até agora não chegou, se você não vim eu vou ficar muito triste com você
-Desculpa o papai Enzo-Luan respira fundo, caindo em si que Enzo precisava dele-então pede para a vovó arrumar você, que daqui a pouco eu chego ai e a gente vai na onde você quiser
-Promete?-diz Enzo manhoso
-Prometo, logo o papai chega ai
-Ta bom, te amo papai
-Tambem te amo meu filho
Ligação off.
Após essa ligação Luan respirou fundo e ficou pensando um pouco, ele não podia parar a vida dele por causa de Bia, já se passou tanto tempo, ela já perdeu tanta coisa da vida dele, da vida de Enzo, e ele tambem perdeu muita coisa pois vive 24 horas por dia preso a esse amor, tantos momentos que ele poderia ter passado com Enzo que é o unico fruto que esse amor o trouxe, e muita das vezes ele deixava o filho sozinho só para ir ficar com Bia e chorar se lamentando a vendo naquela situação. Depois de pensar em muita coisa, e ver que ele já era um homem de quase 30 anos, que tinha um filho para criar, uma vida toda pela frente, Luan repensou muita coisa, e mesmo amando Bia com todas as forças, ele sabia que era hora de se desapegar, ela não seria a mesma de antes e tudo que ele havia feito durante todos esses anos havia sido em vão, o que o fez tomar uma decisão que o doia muito, mas ao mesmo tempo iria diminuir seu sofrimento. Como seu carro estava quase parando devido ele gastar a gasolina andando feito um doido pela cidade, por sorte Luan logo avistou um posto de gasolina, e ali abasteceu seu carro, o que o fez finalmente conseguir voltar para casa.
-Papai-diz Enzo correndo em direção a Luan e pulando no colo dele assim que ele abre a porta
-Oi meu amor-Luan o abraça forte-desculpa a demora garotão-sussurra no ouvido do filho
-Ta tudo bem-diz Enzo sorrindo-agora a gente já vai sair?
-Já-Luan ri-primeiro deixa o papai tomar um banho e trocar de roupa, porque tô com cheiro de hospital
-Ta mesmo-diz Enzo fazendo careta e descendo do colo do pai
-Oi meu filho-diz Marizete indo o abraçar
-Oi mãe-ele a abraça
-Ta tudo bem?-ela acaricia o rosto dele-essa carinha de choro não me engana
-Eu choro para aliviar mãe-ele suspira-mas eu tô bem, cadê a Bruna e o Testudo?
-Aqueles dois não param em casa-Marizete ri de canto-nem sei para onde foram, devem ter ido na mãe dele
-Não me dando um sobrinho ta bom, já tem gente demais nessa casa
-Deixa de ser bobo-Marizete ri-agora vai lá tomar um banho bem relaxante que eu vou preparar um lanche para você comer
-Ta bom-ele beija a testa da mãe-fica de olho nele-aponta para Enzo que estava deitado todo largado no sofá vendo desenho
-Ele é um anjo, não preciso disso
-Vó coruja é assim mesmo-Luan ri
Luan sobe para seu quarto, toma um banho, se arruma e depois desce para tomar seu café da manhã, Enzo muito pidão subiu no colo do pai e ficou comendo bolo junto com ele, mesmo após já ter tomado seu café da manhã.
-Na a onde você quer ir garotão?-Luan o pergunta enquanto entravam no carro e Luan o colocava em sua cadeirinha
-Vamos no shopping, quero assistir filme comendo pipoca
-Mas Enzo você já acabou de comer bolo, e tomou café da manhã antes de eu chegar que eu sei
-Ha papai, é legal comer-diz Enzo rindo sapeca
-Daqui uns dias você ta uma bolotinha-faz cócegas na barriga do filho que ria
Os dois foram ao shopping e passaram praticamente o dia todo lá, rindo, brincando, tirando fotos, Luan esqueceu de todos os seus problemas estando ali com seu filho, eles assistiram filme, foram na sessão de brinquedos, comeram o que quiseram na praça de alimentação, sem contar de que algumas meninas que pediam foto com Luan e Enzo, o que fazia Enzo se sentir importante, e Luan ria dele. Só foram embora pois já estavam cansados, ou melhor Enzo finalmente havia se cansado, porque Luan já não aguentava o pique do filho faz tempo.
-Enzo agora sua vó vai te dar banho, porque o papai precisa ir ver a mamãe no hospital
-Eu não posso ir?
-Hoje não porque o papai vai resolver alguns assuntos de gente adulta-Luan respira fundo-mas amanhã o papai leva você lá, tudo bem?
-Tudo sim, manda um beijo para a mamãe
-Mando sim, agora vai lá falar para sua vó te dar banho que o papai já vai
Luan da um beijo no filho e segue para o hospital firme em sua decisão. Assim que ele chega lá, antes de ir ao quarto de Bia, ele pergunta pelo Doutor Helbert, e logo lhe é informado a sala dele.
-Olá-diz o doutor apertando a mão dele-em que posso ajudar?
-Bom doutro-Luan respira fundo-eu vou ser direto com o senhor, eu andei pensado e eu já tomei minha decisão
-Sobre desligarem os aparelhos da sua mulher?
-Isso-Luan assente-eu a amo mais que tudo, e sei o quanto ela já sofreu nessa vida, e o quanto eu sofri junto, e sozinho, principalmente durante esses ultimos anos, sabe é dificil ver a pessoa que você mais ama nessa vida naquela situação-ele deixa algumas lágrimas cair-eu quero continuar a ter esperanças que ela vai voltar, mas uma parte dentro de mim me diz que é melhor eu desistir, porque isso nunca vai acontecer-ele chora mais ainda-é dificil demais lidar com tudo isso, eu tenho uma vida toda pela frente, um filho que depende totalmente de mim, mas eu fico preso a ela, preso a esse amor, que ás vezes chega a me sufocar do tanto que dói e do tanto que eu a amo, mas não é só eu que estou sofrendo, toda a familia tambem está, eu sei que vou sofrer muito quando ela partir, mas quando isso acontecer eu vou ter a certeza que ela estará em um lugar melhor, e eu prefiro que ela vá em paz, do que ficar mais dez, vinte, trinta anos naquela cama, eu não saberia viver todo esse tempo desse jeito, mas se o melhor é desligar os aparelhos e deixar ela ir-Luan suspira enxugando as lágrimas-eu aceito isso doutor-diz o olhando nos olhos
-Eu sei o quanto essa decisão está sendo dificil para você meu jovem-o doutor coloca as mãos sobre os ombros dele-mas você fez a escolha certa, pode ser amanhã?
-Pode-Luan diz com uma dor imensa no peito
-Se quiser avisar a familia para virem se despedir dela-diz o doutor o olhando com pena
-Acho melhor só eu saber por enquanto
-Qual horario você prefere, pela manhã, ou mais á tarde?
-Qualquer horario-diz Luan dando de ombros
-Ok, então amanhã ás 07:00 hrs da manhã esteja aqui para assinar os papéis aceitando o desligamento dos aparelhos
-Eu vou estar doutor-diz Luan enxugando algumas lágrimas que caia
-Não se esqueça que você fez o melhor
Luan apenas assente, e sai da sala aos choros, ele nem quis ir ver Bia tamanha sua dor, correu até seu carro onde se trancou e chorou, chorou tudo o que tinha de chorar, pois ele sabia que ninguem o perdoaria devido a sua escolha, principalmente Clarissa e os irmãos de Bia.
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Olá amores, o que acharam da decisão do Luan será que ele vai se arrepender em cima da hora, ou vai ser tarde demais... só digo que vem fortes emoções por ai, devo postar mais alguns capitulos, ainda não sei se termino no 133 ou 135, kkkkkk mas vamos ver o que vem pela frente, comeeentem bastante, beijos <3
#RetaFinal #FortesEmoções #UltimosCapitulos
Se um amor um dia não foi permitido, talvez fosse o destino trabalhando para que um grande amor pudesse acontecer.
terça-feira, 8 de dezembro de 2015
sexta-feira, 4 de dezembro de 2015
130ºCapitulo
Antes de voltar ao hospital, eu teria de avisar a minha familia no Brasil sobre o que estava acontecendo, meu celular estava sem bateria, e o de Bia tambem, com certeza os dois devem ter recebido milhares de ligações e todos devem estar muito preocupados. Tive que colocar meu celular no carregador, e como eu não fazia a ideia de que horas eram lá no Brasil, decidi ligar depois, pois ainda estava sem cabeça para conseguir digerir tudo o que aconteceu, e muito menos avisar a outras pessoas. O que eu ainda não entendia, foi a forma como tudo isso aconteceu, estava pegando o elevador quando me lembrei que as pessoas que trabalham no hotel viam alguma coisa pelo computador da câmera de segurança, e não sei porque, mas eu sentia que minha resposta estava naquelas imagens. O hotel estava em completo silêncio, só havia uma moça na recepção e dois seguranças em frente a porta de entrada, e eu não iria conseguir me comunicar com ninguem, mas custa nada tentar.
-Boa noite-disse a moça da recepção que me olhou-eu sou brasileiro-acho que ela deve ter entendido pois assentiu-eu gostaria de alguem me entendesse
Ela me olhava com uma cara de taxo, e nada fazia, respirei fundo para manter minha paciência.
-Senhora não é possivel que nesse hotel não tenha ninguem que fale minha língua
-Sir, retournez dans votre chambre(senhor, volte para o seu quarto)-me disse como se por acaso eu falasse francês
-Mas senhora, eu não falo francês-a olhei como se não a entendesse
-Ces brésiliens ne savent pas ou ont de la classe(esses brasileiros não sabem nem ter classe)-disse revirando os olhos e eu já não sabia o que fazer
-Por favor, é a ultima vez que lhe peço, chama alguem para me ajudar, eu não entendo francês porra-disse visivelmente irritado
Ela fingia que eu nem estava falando com ela, e isso me irritou de uma tal forma.
-Se eu soubesse que ia ser tratado assim, nunca me hospedaria nessa porcaria de hotel, porra minha mulher ta naquele hospital precisando de mim e eu aqui tentando conversar com uma recepcionista que deve ta me xingando e eu não sei
Já estava a virando as costas para tentar achar um táxi para me levar de volta ao hospital quando escuto alguem me chamar.
-Rapaz, espere ai-quando vi era o mesmo homem que eu havia conversado mais cedo-o que queres? ainda mais a essas horas
-Porra, eu só queria pedir para ver as câmeras de segurança do hotel, para saber o que realmente aconteceu com a minha mulher, você consegue falar isso para alguem e me ajudar?
-Claro que sim rapaz
Retornamos a recepção, e ele começou a falar com a moça, logo ela começou a digitar algo no computador, depois o disse mais alguma coisa e eu boiava nisso tudo.
-Ela vai ver se pode deixar você ter acesso as imagens, e mandou aguardar o gerente vir até aqui
-Será que ele vai demorar? eu preciso voltar ao hospital onde minha mulher ta internada
-Apenas aguarde
Depois de uns vinte minutos o tal gerente chegou, nos cumprimentou pegando em nossas mãos, e eu apenas assenti já que não sei se ele falou um oi ou boa noite. O homem que estava me ajudando começou a conversar com ele e o homem o dizia algumas coisas.
-O gerente esta perguntando o numero do seu quarto, o seu nome, e o porque de querer ver com urgência as câmeras de segurança
-O meu nome é Luan, Luan Rafael Domingos Santana, tô no quarto 1238, minha mulher sofreu um acidente, e eu não sei como e com quem ela saiu daqui do hotel já que ela não me avisou nada
Ele assentiu e pareceu falar tudo o que eu lhe falei para o gerente, que juntamente com a tal recepcionista mexiam no computador, e depois o disseram algo.
-Você pode ver sim tudo o que aconteceu, eles já puxaram as imagens do corredor, da escada, do elevador, da garagem, da saida dos funcionarios, tudo
Então logo me coloquei em frente o computador e as imagens iam rolando, demorou um pouco e logo apareceu eu e Bia entrando juntos no nosso quarto, e eu sabia que foi depois dali que ela sumiu, passou uns minutos e logo a mostrou saindo do quarto com a minha camiseta em mãos, o que eu achei estranho foi ela parar uma senhora que saia de um outro quarto que havia entrado para arrumar, o mais impressionante é que elas seguiram para as escadas, e depois eles ampliaram as imagens das escadas, onde eu podia ver as duas descendo, a faxineira na frente e a minha mulher atrás, de repente as duas param, e a faxineira pressiona Bia na parede a deixando encurralada sem lugar para onde correr, elas pareciam discutir, e depois de ver aquela mulher louca tentar enforcar Bia, meu sangue ferveu, e logo meu mundo caiu vendo Bia cair e a outra mulher a arrastar depressa, depois as ultimas imagens registradas dela foi pela câmera da garagem, onde a tal mulher a arrasta até um carro, e depois sai dali em alta velocidade. Todos ali estavam visivelmente chocados, e o que eu mais queria era matar aquela maldita com minhas proprias mãos, que ser humano era esse que foi capaz de fazer com minha Bia?
-Então agora eu sei como aconteceu-disse deixando uma lágrima de ódio misturado com dor cair-obrigada por me ajudar-agradeci ao homem que tinha uma expressão indecifrável e fui seguindo em direção a saída do hotel quando ele me parou
-Eu levo você, a essas horas não vai ter nenhum táxi disponivel-disse ainda com uma cara estranha
-Não vou atrapalhar?
-Não vai não, eu estava mesmo precisando ir em um lugar, mas te deixo no hospital primeiro, sabe onde fica?
-Não conheço nada aqui, vai seguindo as placas ou sei lá, só sei que é um hospital de emergência
-Vamos procurar que a gente acha
Rodamos um bom tempo pela cidade, e só depois de quase andar pela cidade inteira, encontramos o hospital, o agradeci e desci do carro preparado para encarar a minha realidade, ou me fingindo de preparado só para permanecer forte e enganando ao meu coração. Só me lembrava de ter entrado naquele hospital e sentado mas uma vez na sala de espera sem saber o que viria pela frente. Senti me cutucarem, e uma voz me chamando ao longe, quando abri os olhos vi Rebecca a minha frente e olhando em volta me lembrei que estava no hospital.
-Bom dia Luan, passou a noite ai todo torto?
-Bom dia-disse me espreguiçando-parece que sim
-Primeiramente eu queria te acordar com uma boa noticia, mas não é dessa vez-disse me olhando sério e já respirei fundo imaginando algo bem grave-lembra que te falei que sua esposa não poderia ficar mais de 24 horas no hospital?-assenti-então, houve mas um acidente com dois franceses e ela esta ocupando leito, por ela ser estrangeira ela tem que ser transferida em uma hora para algum lugar, e você é quem decide para onde ela vai, se para algum hospital aqui de Paris, ou se quer arriscar e quer levar ela para o Brasil
Realmente não dormi bem, e acordei pior do que já estava, com uma bomba dessas nas mãos, eu sabia que minha mulher não estava bem, e que ir para o Brasil era arriscar a vida dela, sei tambem que minha familia iria querer vê-la e não daria para todos virem de uma vez para a França, então movido pela fé e pela esperança decidi o que seria o melhor.
-Ela vai para o Brasil-disse para a Rebecca
-Tem certeza que vai querer arriscar? ela tem poucas chances de sobreviver e...
-Não interessa, pode custar todo o dinheiro do mundo essa transferência, mas ela vai para o Brasil-disse decido
Narrador on.
Três anos depois...
Pois é, como o tempo passa, há exatamente três anos atrás o corpo de Bia era transferido para o Brasil, a família toda em prantos, pois Luan teve de as avisar de uma forma ou outra, e como essa transferência era milionária e arriscada, toda imprensa nacional e internacional ficou em cima, o que gerou uma polemica enorme em torno desse caso, as fãs de Luan passaram dias chorando e orando para que tudo ficasse bem, era realmente uma tragédia e um momento muito delicado para a família Santana e para todos os que os queriam bem. Graças a Deus, deu tudo certo na transferência de Bia, tirando o fato de duas paradas cardíacas que ela sofreu assim que pousava no Brasil, mas como a equipe era especializada e estava ali para cuidar dela, logo seu coração voltou a bater, mas ela ainda estava naquele mesmo estado de coma profundo sem previsão de quando voltaria a vida real.
Os dias foram passando, as semanas foram passando, os meses foram passando, e quando se deram conta já haviam se passado três anos, e ela naquela situação. Luan estava em um estava critico de depressão profundo, todos os dias só chorava, pensou em largar a carreira por diversas vezes, e só não fez isso porque suas fãs o apoiavam muito deixando textos e frases de forças todos os dias, além de sua família sempre o apoiar e não o deixar cometer nenhuma burrada que se arrependesse depois. Sua agenda de shows não era mais tão lotada como antes, ele só gravou um CD novo durante todo esse tempo, cheio de musicas românticas e muitas depressivas, todas compostas por ele pensando em Bia, e mesmo o Luan nessa fase e sofrendo desse jeito, suas fãs nunca o abandonavam, pois entendiam o que ele estava passando, e ele era grato a Deus por ter fãs assim, que são como uns anjos na sua vida. Ele fazia em média um a dois shows por semana, e o resto da semana ficava no hospital com Bia ou em casa com Enzo, pois o seu filho sentia muito a sua falta e estava mais apegado ao pai do que nunca, afinal foi Luan quem praticamente cuidou dele na ausência de Bia, o educando e o dando todo o amor do mundo. Clarissa se mudou de vez para São Paulo, ela morava em um apartamento que Luan alugou para ela ao lado do hospital onde Bia permanecia internada em coma, pois ela era quem ficava com a filha praticamente todos os dias, e só chorava, resultado de sua depressão que já era passada se aprofundar mais ainda. João Miguel e Francielle estavam noivos, e moravam em Londrina, para cuidarem de seus avós já que Clarissa só queria saber de cuidar da filha, mas eles a entendiam, e sempre que dava iam a São Paulo para ver Bia e ter noticias dela. Gustavo e Susan, durante esse tempo acabaram tendo outra filha, a pequena Vitória que já tinha um ano, o nome era para fortalecer a família e a eles mesmos, que tambem choravam sempre vendo Bia naquela situação. Bruna e Roberval estavam morando juntos na mansão dos Santana, e Luan que tanto criticou esse namoro, achou até bom ter Roberval morando junto deles, já que acima de tudo ele era seu melhor amigo e conselheiro. E Enzo, era tão lindo e esperto, com seus quatro aninhos, já falava de tudo, e amava cantar dizendo que seguiria a carreira do pai, o que deixava Luan morrendo de orgulho do seu único filho, e o fazendo de sustentação durante todo esse tempo para não cometer nenhuma burrada.
Já se passavam das 14:30 hrs da tarde, e Luan levaria Enzo para ver a mãe, ele sempre o levava lá, já que os médicos diziam que era bom todos que a amam de verdade ficar perto dela e conversar com ela enquanto ela não reage, e Enzo adorava ir ao hospital, pois lá as enfermeiras o chamavam de lindo e o davam doce, o que fazia Luan rir por alguns minutos vendo a alegria do filho.
-Enzo hoje é dia de você ir ver a mamãe, e até agora o senhor não quis ir tomar banho porquinho-diz Luan apertando o nariz dele enquanto ele via desenho
-Meu desenho já ta acabando papai-dizia Enzo vidrado nas tartarugas ninja
-Mas filho você vê isso todo dia, na hora que você chegar em casa isso ainda vai ta passando, vamos lá ver a mamãe
-Ha papai, mas ela nunca fala nada, ela nem elogia meus desenhos que faço para ela-diz fazendo bico e Luan sente uma grande dor no peito ouvindo tudo isso e respira fundo
-Filho, a gente já conversou sobre isso, sua mãe ouve tudo o que a gente diz, ela só não diz nada porque esta dormindo
-A mamãe dorme muito, ela é muito preguiçosa, quando não quero acordar para ir pra escolhinha você e a vovó ficam bravos comigo-diz cruzando os braços e fazendo bico
-Enzo ai é diferente, você não pode ser preguiçoso, precisa ir na escolhinha para estudar e ficar inteligente igual o papai
-Preciso ir na escolhinha para ter gatas no meu pé igual você?-diz olhando para o pai e Luan ri
-Precisa sim, porque nenhuma gata não gosta de menino burro, agora vem, vamos tomar banho?
-Vamos-diz Enzo jogando os braços para o pai o pegar no colo
-Você já ta grandinho demais sabia?-diz Luan o pegando no colo
-Ha papai, não reclama, o banheiro é logo ali
-Justamente por isso, folgadinho
Luan levou Enzo para o banheiro e o deu banho, depois junto do filho escolheu uma roupa, o trocou e já estavam prontos para ir para o hospital.
-Já vai meu filho?-diz Marizete enquanto via sua novela os vendo descer as escadas
-Já sim-ele sorri de canto-vou levar o Enzo lá agora, e depois acho que o Gustavo vai lá ai ele trás ele, hoje vou posar lá
-Então tá, vão com Deus-diz Marizete respirando fundo ao ver o filho mais uma vez nessa vida
-Vou dar beijo na vovó-diz Enzo indo correndo até a vó e a beijando
-Agora vai lá com seu pai-Enzo assente voltando correndo até Luan e pegando na mão do pai
Enzo era um menino sapeca, mas muito obediente, Luan o colocou em sua cadeirinha no banco de trás e sentando no banco do motorista, mais uma vez correu o percurso que já era de sua rotina. Assim que chegaram no hospital, Luan o desceu da cadeirinha, e Enzo todo educado entrou segurando na mão de Luan, e cumprimentando todas as enfermeiras que via pelo caminho, fazendo Luan rir da esperteza do filho. Quando entraram no quarto em que Bia ficava, Enzo foi correndo até a vó Clarissa que era quem estava com Bia e a deu um beijo.
-Oi meu amor, que beijo mais gostoso-tambem o beijava
-Oi vovó-Luan o olhou-quer dizer, benção vó-Enzo ri
-Deus te abençoe-ela o da um beijo na testa
-Oi Clarissa-Luan a cumprimenta
-Oi Luan-os dois sorriem de canto
-Como ela ta?-Luan pergunta já ficando ao lado de Bia e pegando sua mão e dando um beijo
-Do mesmo jeito-diz Clarissa suspirando fundo e segurando para não chorar na frente de Enzo
-Pelo menos ela ainda ta aqui-diz Luan também quase chorando, e se aproximando do rosto dela para a dar um beijo na testa-oi meu amor, tô aqui de novo-alisa o rosto pálido dela-sempre tão linda
-Papai-Enzo desce do colo da vó e puxa a camisa dele-quero ver a mamãe, me ergue
Luan o pega no colo e o senta na beirada da cama como sempre, fazia e Enzo todo carinhoso da um abraço e um beijo no rosto de Bia.
-Oi mamãe, eu vim te ver-fica olhando para ela afim de ela o responder
-Pode ter certeza que ela ta muito feliz-Luan olha a cena sorrindo com uma lágrima presa
-Te amo muito mamãe-Enzo a da mais um abraço e Luan deixa algumas lágrimas escapar as enxugando logo para Enzo não ver
-Luan hoje você vai ficar com ela?-Clarissa pergunta enxugando algumas lágrimas e Luan assente-então vou voltar para casa, cuida da minha menina-o da um abraço apertado e depois se abaixa beijando a testa da filha-amanhã eu estou aqui minha filha, fica com Deus
-Não vai despedir de mim vovó?-Enzo pergunta
-Claro que sim-ela o pega no colo e o da um beijo-cuida da sua mamãe
-Cuido sim, vai com Deus vovó
-Amém, fica com Ele tambem
Depois de se despedir deles, Clarissa sai chorando como sempre daquele quarto e segue mais uma vez cheia de dor para a sua casa.
-Papai, posso desenhar?-pergunta Enzo já no chão
-Pode sim, vai lá e faz um desenho bem bonito para a mamãe
Enzo vai todo alegre até a sua mesinha que ficava ali no quarto e havia várias folhas, lápis de cor, giz de cera para ele desenhar ali em cima, e se distrair enquanto Luan ficava em seu momento com Bia.
-Mais uma vez eu tô aqui com você meu amor-Luan se senta na cadeira ao lado da cama dela e encaixa suas mãos-ontem durante o show mais uma vez eu chorei sabia, cantando a nossa música, eu sei que a gente não precisa ta colado pra ta junto, mas as vezes a ausência física é importante, eu já não sei mais como esta sendo os meus dias, você ta aqui nessa cama vegetando, e eu tô vegetando junto, não tenho mais o prazer de viver, sem você tudo é estranho e eu só não fiz uma loucura, porque nosso filho precisa de mim-Luan olha de relance para Enzo todo concentrado colorindo seu desenho-ele ta crescendo meu amor, ele ta tão lindo, a cada dia me surpreendo com o que ele fala, e com o quanto ele é inteligente, você precisa acordar logo meu amor, acordar para ficar comigo, para cuidar do nosso filho, para a gente ser feliz-Luan deixa as lágrimas cair-eu sei que todos os dias eu te falo as mesmas coisas, mas é que para mim todos os dias são iguais, e cada dia que passa é um dia a menos que não passei com você, então chega de ficar assim, volta para mim, volta meu amor, é o que eu sonho e peço para Deus todos os dias, não vejo a hora de você abrir os olhos, e eu ver outra vez aquele azul intenso que é da cor do céu, do meu céu, meu paraíso particular, eu só quero que você volte-Luan já chorava descontroladamente debruçado na cama onde Bia estava
-Papai-Enzo puxava sua camisa, e ele enxugando as lágrimas olha para o filho
-O que foi Enzo?
-Meu giz de cera quebrou-mostra para o pai o giz quebrado
-Usa outra cor meu filho, tem um tanto ali
-Mas eu queria usar essa cor-diz fazendo bico-papai você ta chorando?-olha para o pai subindo no colo dele
-As vezes chorar alivia, faz bem-diz Luan olhando para o filho
-Papai não chora não, eu te amo-diz Enzo o dando um abraço e Luan retribui
-O papai tambem te ama muito, muito e muito meu filho, você é tudo para mim-Luan aperta o filho em seus braços
-Ai papai, assim você me esmaga-diz Enzo reclamando e Luan ri
-Desculpa, é que é gostoso apertar você
-Eu sei que sou gostoso-diz Enzo se gabando e Luan ri
-Menino onde você ta aprendendo essas coisas? ta indo na escola para isso?
-É que a tia Bruna tava me mostrando uns videos seu no not dela ai você falava isso-Enzo ri sapeca
-Sua tia nem para te ensinar algo que presta
-E o tio Rober me disse que você tem várias fãs gatas, e que elas sempre mandam beijo para mim
-Esse seu tio testudo tambem é outro desocupado
-Tadinho do tio Rober papai, ele pelo menos me leva para jogar futebol já você não-diz Enzo fazendo bico e voltando a se sentar em sua mesinha dos desenhos
-Isso é jeito de falar com seu pai Enzo?-Luan o repreende
-Desculpa, só disse a verdade-ele da de ombros e Luan respira fundo super chateado pois ele realmente várias vezes deixou de passar um tempinho com o filho só para ficar com Bia no hospital
-Eu sou um péssimo pai-diz Luan olhando para o alto e depois olhando para Bia-ta vendo meu amor, não ta sendo nada fácil sem você
Os dois ficaram por uma hora ali no quarto, Luan fazendo carinho, conversando com Bia, e Enzo desenhando.
-Papai eu tô com fome-ele puxa a camisa de Luan
-Quer que o papai te leve na lanchonete?
-Não quero comida de lá-ele faz bico-eu queria batata frita do shopping, a tia Bruna disse que ia me levar lá e ainda não levou
-Enzo o shopping ta longe daqui, e o papai não pode sair e deixar sua mãe sozinha por muito tempo
-Mas eu queria comer alguma coisa diferente papai, a mamãe só dorme, então custa nada deixar ela sozinha
-Meu filho-Luan respira fundo-você não entende
-Entendo sim, tudo vocês falam que eu não entendo-Enzo cruza os braços
-É que algumas coisas são complicadas demais para você entender, se você quiser amanhã o papai te leva no shopping e ai você come o que quiser, pode ser?-Enzo o olha fazendo bico e não responde nada-Enzo não olha assim para mim, se você ta com fome, vamos lá na lanchonete, hoje é dia de pastel, você adora pastel, vamos combinar assim, hoje você come aqui, e amanhã eu te prometo que a gente vai no shopping, pode ser?
-Você promete?
-Prometo, pode ser aqui hoje?
-Pode-diz Enzo finalmente cedendo-mas se você não me levar no shopping amanhã eu vou ficar de mal
-Ta bom, como o senhor quiser-Luan ri-da um beijo na mamãe e diz que daqui a pouco a gente volta para ficar com ela-diz Luan o erguendo
-Tchau mamãe, daqui a pouco eu e o papai volta, a gente vai comer pastel, você não quer um?
-Ela não pode comer meu filho-Luan sorri vendo a pergunta dele e o coloca no chão-vou só ali levar nosso filhote para comer alguma coisa e a gente já volta meu amor-Luan a da um beijo na testa e pega na mão de Enzo para seguirem até a lanchonete
Na lanchonete Enzo queria um pastel de queijo, e Luan como mal comia, acabou tomando um suco pequeno de laranja só para acompanhar o filho, que devorava o pastel e tomava suco de caju que era o seu preferido. Ainda na lanchonete eles logo viram que Gustavo chegava ali.
-Olha só quem chegou Enzo-diz Luan apontando para Gustavo, e Enzo já corre para o abraçar
-Oi tio, olha eu to comendo pastel-dizia o mostrando e Gustavo ri
-Percebi mesmo Enzo, inclusive depois seu pai vai ter que lavar bem essas suas mãozinhas
-Tio cadê a Valentina, e a Pérola, e a Vitória?
-Estão em casa com a sua tia Susan
-O meu pai falou que amanhã vamos no shopping comer batata frita, quer ir tambem?
-Agradeço o convite, mas amanhã tem apresentação de balé da Valentina
-Que legal tio
-Nossa esse menino fala demais em-diz Gustavo rindo-para quem ele puxou?
-Juro que não sei-diz Luan rindo-esse dai depois que aprendeu falar, fala mesmo
-E ai como esta a minha maninha cunhadinho?-diz Gustavo se sentando ao lado de Luan
-Do mesmo jeito né Gustavo-Luan mexe no canudo de seu suco respirando fundo
-Não aguento mais isso-diz Gustavo irritado-que maldito coma é esse? minha irmã já esta nessa situação a três anos e os médicos continuam dizendo que isso é normal, nem em novela isso é normal
-Se controla Gustavo-diz Luan o olhando já que Enzo olhava assustado para o tio da maneira que ele falava
-Desculpa Enzinho-ele olha para o sobrinho-mas é sério Luan, você fica ai e não questiona nada, não faz nada, já era para a Bia ter acordado faz tempo
-Mais do que eu faço Gustavo? eu dou minha vida por aquela mulher e você me diz que faço nada?
-Eu sei o quanto você ama a minha irmã, mas é você o dono da grana, se você não questiona os médicos, eles vão continuar dizendo que é tudo normal, e vai chagar daqui cinquenta anos e ela ainda vai estar em coma e eles dizendo que é tudo normal
-Gustavo chega-diz Luan se levantando-eu sei que o tempo ta passando, eu já estou com quase trinta anos, e porra a mulher que eu casei ta lá numa cama de hospital, sem eu saber se um dia ela vai sair de lá, e você vem aqui e fica me enchendo, se quer alguma explicação vai você questionar os médicos, o Papa, o presidente, a puta que pariu, mas me deixa em paz, deixa eu viver a minha vida assim, que droga, nem sofrer calado a gente pode mais-diz Luan saindo dali todo furioso
Enzo olhava a cena assustado e Gustavo vendo a cara do sobrinho logo o abraça e o pega no colo.
-Não liga para nada que o seu pai falou, ele ta estressado, então não fica assustado-Enzo apenas assente-fica aqui com o tio, se quiser comer mais alguma coisa é só pedir
-Eu quero um doce
-Ok, vamos ali ver o doce que você quer
Gustavo ficou com Enzo na lanchonete para o distrair e o fazer esquecer a cena em que presenciou, Luan entrou feito um furacão dentro do hospital, e quando foi entrar no quarto de Bia, viu a porta aberta e uma movimentação de médicos ali dentro.
-O que está acontecendo aqui?-Luan pergunta pressentindo que não era boa coisa
-Você que é o marido dela?-um médico que ele nunca viu o questiona
-Sim, porque?
-Sua mulher é o primeiro caso que sobrevive durante um coma por tanto tempo, fiquei sabendo do caso e quis ver com meus próprios olhos, sou o doutor Helbert-o estende a mão e Luan aperta
-Sou Luan
-Luan, se o senhor permitir faremos alguns exames na sua mulher, porque é realmente muito raro sobreviver tanto tempo a um coma, o máximo que alguem consegue chegar é a um ano, e quando isso acontece a pessoa fica totalmente dependente de outros, e chega a não sobreviver muito tempo depois que acorda
-Tudo bem doutor, só me explica aonde quer chegar com tudo isso?
-Vou resumir para você-o doutor o olha-a gente vai fazer uns exames e ver como está o sistema imunológico, excretor, reprodutivo, gástrico, pulmonar, enfim, tudo que uma pessoa precisa para viver normalmente, mas pelo o que vejo-o doutor a olha-a pele esta sem cor, pior que de uma pessoa anêmica, os cabelos estão ralos, e a pele esta muito envelhecida, ela já não esta como uma pessoa normal, sua temperatura é baixissima, e mesmo que ninguem tenha te falado ela só esta viva por causa desse aparelho que a faz respirar, fora isso, ela é considerada uma morta, e pelo jeito que estou vendo é uma morta viva
-Mas ela ainda respira, o seu coração bate, e eu sinto que ela me conhece, conhece o nosso filho doutor, então ela esta viva-diz Luan tentando argumentar sentindo que não viria coisa boa pela frente
-O duro das familias quando algum familiar se encontra em coma é isso, eles tem a certeza que eles ainda estão vivos, mas não entendem que se eles não reagirem, vão ficar dependentes apenas de aparelhos, e se por acaso ocorrer uma falta de energia no hospital e esses aparelhos desligarem, infelizmente já era, eles morrem, de um jeito ou de outro meu jovem, você vai ter que aceitar e entender que nesse estado que ela está ela não vai mais voltar, se em três anos ela não conseguiu reagir, vão passar, mais três, mais três, mais três e ela ainda vai estar aqui, então eu tenho certeza que esses exames vão ser só para comprovar a minha certeza, ela não reage mais, e nada no corpo dela trabalha para que ela tenha alguma reação, e se você quiser amenizar o seu sofrimento e o de sua familia, a decisão é sua, ou desligamos os aparelhos e ela parte sem sentir dor, já que nada dentro dela trabalha, ou então vocês deixam os aparelhos ligados alimentando essa falsa esperança, e veem ela ter uma parada cardiaca ou cardiorespiratória qualquer dia desses, e enfim morrer, a decisão é sua, aceita desligar os aparelhos ou não?
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Olá amores, três anos se passou, quanta coisa aconteceu em, e agora o que será que vai acontecer, só digo que fortes emoções os aguardam haha, comenteeem bastante, beijos <3
#FortesEmoções #UltimosCapitulos #RetaFinal
-Boa noite-disse a moça da recepção que me olhou-eu sou brasileiro-acho que ela deve ter entendido pois assentiu-eu gostaria de alguem me entendesse
Ela me olhava com uma cara de taxo, e nada fazia, respirei fundo para manter minha paciência.
-Senhora não é possivel que nesse hotel não tenha ninguem que fale minha língua
-Sir, retournez dans votre chambre(senhor, volte para o seu quarto)-me disse como se por acaso eu falasse francês
-Mas senhora, eu não falo francês-a olhei como se não a entendesse
-Ces brésiliens ne savent pas ou ont de la classe(esses brasileiros não sabem nem ter classe)-disse revirando os olhos e eu já não sabia o que fazer
-Por favor, é a ultima vez que lhe peço, chama alguem para me ajudar, eu não entendo francês porra-disse visivelmente irritado
Ela fingia que eu nem estava falando com ela, e isso me irritou de uma tal forma.
-Se eu soubesse que ia ser tratado assim, nunca me hospedaria nessa porcaria de hotel, porra minha mulher ta naquele hospital precisando de mim e eu aqui tentando conversar com uma recepcionista que deve ta me xingando e eu não sei
Já estava a virando as costas para tentar achar um táxi para me levar de volta ao hospital quando escuto alguem me chamar.
-Rapaz, espere ai-quando vi era o mesmo homem que eu havia conversado mais cedo-o que queres? ainda mais a essas horas
-Porra, eu só queria pedir para ver as câmeras de segurança do hotel, para saber o que realmente aconteceu com a minha mulher, você consegue falar isso para alguem e me ajudar?
-Claro que sim rapaz
Retornamos a recepção, e ele começou a falar com a moça, logo ela começou a digitar algo no computador, depois o disse mais alguma coisa e eu boiava nisso tudo.
-Ela vai ver se pode deixar você ter acesso as imagens, e mandou aguardar o gerente vir até aqui
-Será que ele vai demorar? eu preciso voltar ao hospital onde minha mulher ta internada
-Apenas aguarde
Depois de uns vinte minutos o tal gerente chegou, nos cumprimentou pegando em nossas mãos, e eu apenas assenti já que não sei se ele falou um oi ou boa noite. O homem que estava me ajudando começou a conversar com ele e o homem o dizia algumas coisas.
-O gerente esta perguntando o numero do seu quarto, o seu nome, e o porque de querer ver com urgência as câmeras de segurança
-O meu nome é Luan, Luan Rafael Domingos Santana, tô no quarto 1238, minha mulher sofreu um acidente, e eu não sei como e com quem ela saiu daqui do hotel já que ela não me avisou nada
Ele assentiu e pareceu falar tudo o que eu lhe falei para o gerente, que juntamente com a tal recepcionista mexiam no computador, e depois o disseram algo.
-Você pode ver sim tudo o que aconteceu, eles já puxaram as imagens do corredor, da escada, do elevador, da garagem, da saida dos funcionarios, tudo
Então logo me coloquei em frente o computador e as imagens iam rolando, demorou um pouco e logo apareceu eu e Bia entrando juntos no nosso quarto, e eu sabia que foi depois dali que ela sumiu, passou uns minutos e logo a mostrou saindo do quarto com a minha camiseta em mãos, o que eu achei estranho foi ela parar uma senhora que saia de um outro quarto que havia entrado para arrumar, o mais impressionante é que elas seguiram para as escadas, e depois eles ampliaram as imagens das escadas, onde eu podia ver as duas descendo, a faxineira na frente e a minha mulher atrás, de repente as duas param, e a faxineira pressiona Bia na parede a deixando encurralada sem lugar para onde correr, elas pareciam discutir, e depois de ver aquela mulher louca tentar enforcar Bia, meu sangue ferveu, e logo meu mundo caiu vendo Bia cair e a outra mulher a arrastar depressa, depois as ultimas imagens registradas dela foi pela câmera da garagem, onde a tal mulher a arrasta até um carro, e depois sai dali em alta velocidade. Todos ali estavam visivelmente chocados, e o que eu mais queria era matar aquela maldita com minhas proprias mãos, que ser humano era esse que foi capaz de fazer com minha Bia?
-Então agora eu sei como aconteceu-disse deixando uma lágrima de ódio misturado com dor cair-obrigada por me ajudar-agradeci ao homem que tinha uma expressão indecifrável e fui seguindo em direção a saída do hotel quando ele me parou
-Eu levo você, a essas horas não vai ter nenhum táxi disponivel-disse ainda com uma cara estranha
-Não vou atrapalhar?
-Não vai não, eu estava mesmo precisando ir em um lugar, mas te deixo no hospital primeiro, sabe onde fica?
-Não conheço nada aqui, vai seguindo as placas ou sei lá, só sei que é um hospital de emergência
-Vamos procurar que a gente acha
Rodamos um bom tempo pela cidade, e só depois de quase andar pela cidade inteira, encontramos o hospital, o agradeci e desci do carro preparado para encarar a minha realidade, ou me fingindo de preparado só para permanecer forte e enganando ao meu coração. Só me lembrava de ter entrado naquele hospital e sentado mas uma vez na sala de espera sem saber o que viria pela frente. Senti me cutucarem, e uma voz me chamando ao longe, quando abri os olhos vi Rebecca a minha frente e olhando em volta me lembrei que estava no hospital.
-Bom dia Luan, passou a noite ai todo torto?
-Bom dia-disse me espreguiçando-parece que sim
-Primeiramente eu queria te acordar com uma boa noticia, mas não é dessa vez-disse me olhando sério e já respirei fundo imaginando algo bem grave-lembra que te falei que sua esposa não poderia ficar mais de 24 horas no hospital?-assenti-então, houve mas um acidente com dois franceses e ela esta ocupando leito, por ela ser estrangeira ela tem que ser transferida em uma hora para algum lugar, e você é quem decide para onde ela vai, se para algum hospital aqui de Paris, ou se quer arriscar e quer levar ela para o Brasil
Realmente não dormi bem, e acordei pior do que já estava, com uma bomba dessas nas mãos, eu sabia que minha mulher não estava bem, e que ir para o Brasil era arriscar a vida dela, sei tambem que minha familia iria querer vê-la e não daria para todos virem de uma vez para a França, então movido pela fé e pela esperança decidi o que seria o melhor.
-Ela vai para o Brasil-disse para a Rebecca
-Tem certeza que vai querer arriscar? ela tem poucas chances de sobreviver e...
-Não interessa, pode custar todo o dinheiro do mundo essa transferência, mas ela vai para o Brasil-disse decido
Narrador on.
Três anos depois...
Pois é, como o tempo passa, há exatamente três anos atrás o corpo de Bia era transferido para o Brasil, a família toda em prantos, pois Luan teve de as avisar de uma forma ou outra, e como essa transferência era milionária e arriscada, toda imprensa nacional e internacional ficou em cima, o que gerou uma polemica enorme em torno desse caso, as fãs de Luan passaram dias chorando e orando para que tudo ficasse bem, era realmente uma tragédia e um momento muito delicado para a família Santana e para todos os que os queriam bem. Graças a Deus, deu tudo certo na transferência de Bia, tirando o fato de duas paradas cardíacas que ela sofreu assim que pousava no Brasil, mas como a equipe era especializada e estava ali para cuidar dela, logo seu coração voltou a bater, mas ela ainda estava naquele mesmo estado de coma profundo sem previsão de quando voltaria a vida real.
Os dias foram passando, as semanas foram passando, os meses foram passando, e quando se deram conta já haviam se passado três anos, e ela naquela situação. Luan estava em um estava critico de depressão profundo, todos os dias só chorava, pensou em largar a carreira por diversas vezes, e só não fez isso porque suas fãs o apoiavam muito deixando textos e frases de forças todos os dias, além de sua família sempre o apoiar e não o deixar cometer nenhuma burrada que se arrependesse depois. Sua agenda de shows não era mais tão lotada como antes, ele só gravou um CD novo durante todo esse tempo, cheio de musicas românticas e muitas depressivas, todas compostas por ele pensando em Bia, e mesmo o Luan nessa fase e sofrendo desse jeito, suas fãs nunca o abandonavam, pois entendiam o que ele estava passando, e ele era grato a Deus por ter fãs assim, que são como uns anjos na sua vida. Ele fazia em média um a dois shows por semana, e o resto da semana ficava no hospital com Bia ou em casa com Enzo, pois o seu filho sentia muito a sua falta e estava mais apegado ao pai do que nunca, afinal foi Luan quem praticamente cuidou dele na ausência de Bia, o educando e o dando todo o amor do mundo. Clarissa se mudou de vez para São Paulo, ela morava em um apartamento que Luan alugou para ela ao lado do hospital onde Bia permanecia internada em coma, pois ela era quem ficava com a filha praticamente todos os dias, e só chorava, resultado de sua depressão que já era passada se aprofundar mais ainda. João Miguel e Francielle estavam noivos, e moravam em Londrina, para cuidarem de seus avós já que Clarissa só queria saber de cuidar da filha, mas eles a entendiam, e sempre que dava iam a São Paulo para ver Bia e ter noticias dela. Gustavo e Susan, durante esse tempo acabaram tendo outra filha, a pequena Vitória que já tinha um ano, o nome era para fortalecer a família e a eles mesmos, que tambem choravam sempre vendo Bia naquela situação. Bruna e Roberval estavam morando juntos na mansão dos Santana, e Luan que tanto criticou esse namoro, achou até bom ter Roberval morando junto deles, já que acima de tudo ele era seu melhor amigo e conselheiro. E Enzo, era tão lindo e esperto, com seus quatro aninhos, já falava de tudo, e amava cantar dizendo que seguiria a carreira do pai, o que deixava Luan morrendo de orgulho do seu único filho, e o fazendo de sustentação durante todo esse tempo para não cometer nenhuma burrada.
Já se passavam das 14:30 hrs da tarde, e Luan levaria Enzo para ver a mãe, ele sempre o levava lá, já que os médicos diziam que era bom todos que a amam de verdade ficar perto dela e conversar com ela enquanto ela não reage, e Enzo adorava ir ao hospital, pois lá as enfermeiras o chamavam de lindo e o davam doce, o que fazia Luan rir por alguns minutos vendo a alegria do filho.
-Enzo hoje é dia de você ir ver a mamãe, e até agora o senhor não quis ir tomar banho porquinho-diz Luan apertando o nariz dele enquanto ele via desenho
-Meu desenho já ta acabando papai-dizia Enzo vidrado nas tartarugas ninja
-Mas filho você vê isso todo dia, na hora que você chegar em casa isso ainda vai ta passando, vamos lá ver a mamãe
-Ha papai, mas ela nunca fala nada, ela nem elogia meus desenhos que faço para ela-diz fazendo bico e Luan sente uma grande dor no peito ouvindo tudo isso e respira fundo
-Filho, a gente já conversou sobre isso, sua mãe ouve tudo o que a gente diz, ela só não diz nada porque esta dormindo
-A mamãe dorme muito, ela é muito preguiçosa, quando não quero acordar para ir pra escolhinha você e a vovó ficam bravos comigo-diz cruzando os braços e fazendo bico
-Enzo ai é diferente, você não pode ser preguiçoso, precisa ir na escolhinha para estudar e ficar inteligente igual o papai
-Preciso ir na escolhinha para ter gatas no meu pé igual você?-diz olhando para o pai e Luan ri
-Precisa sim, porque nenhuma gata não gosta de menino burro, agora vem, vamos tomar banho?
-Vamos-diz Enzo jogando os braços para o pai o pegar no colo
-Você já ta grandinho demais sabia?-diz Luan o pegando no colo
-Ha papai, não reclama, o banheiro é logo ali
-Justamente por isso, folgadinho
Luan levou Enzo para o banheiro e o deu banho, depois junto do filho escolheu uma roupa, o trocou e já estavam prontos para ir para o hospital.
-Já vai meu filho?-diz Marizete enquanto via sua novela os vendo descer as escadas
-Já sim-ele sorri de canto-vou levar o Enzo lá agora, e depois acho que o Gustavo vai lá ai ele trás ele, hoje vou posar lá
-Então tá, vão com Deus-diz Marizete respirando fundo ao ver o filho mais uma vez nessa vida
-Vou dar beijo na vovó-diz Enzo indo correndo até a vó e a beijando
-Agora vai lá com seu pai-Enzo assente voltando correndo até Luan e pegando na mão do pai
Enzo era um menino sapeca, mas muito obediente, Luan o colocou em sua cadeirinha no banco de trás e sentando no banco do motorista, mais uma vez correu o percurso que já era de sua rotina. Assim que chegaram no hospital, Luan o desceu da cadeirinha, e Enzo todo educado entrou segurando na mão de Luan, e cumprimentando todas as enfermeiras que via pelo caminho, fazendo Luan rir da esperteza do filho. Quando entraram no quarto em que Bia ficava, Enzo foi correndo até a vó Clarissa que era quem estava com Bia e a deu um beijo.
-Oi meu amor, que beijo mais gostoso-tambem o beijava
-Oi vovó-Luan o olhou-quer dizer, benção vó-Enzo ri
-Deus te abençoe-ela o da um beijo na testa
-Oi Clarissa-Luan a cumprimenta
-Oi Luan-os dois sorriem de canto
-Como ela ta?-Luan pergunta já ficando ao lado de Bia e pegando sua mão e dando um beijo
-Do mesmo jeito-diz Clarissa suspirando fundo e segurando para não chorar na frente de Enzo
-Pelo menos ela ainda ta aqui-diz Luan também quase chorando, e se aproximando do rosto dela para a dar um beijo na testa-oi meu amor, tô aqui de novo-alisa o rosto pálido dela-sempre tão linda
-Papai-Enzo desce do colo da vó e puxa a camisa dele-quero ver a mamãe, me ergue
Luan o pega no colo e o senta na beirada da cama como sempre, fazia e Enzo todo carinhoso da um abraço e um beijo no rosto de Bia.
-Oi mamãe, eu vim te ver-fica olhando para ela afim de ela o responder
-Pode ter certeza que ela ta muito feliz-Luan olha a cena sorrindo com uma lágrima presa
-Te amo muito mamãe-Enzo a da mais um abraço e Luan deixa algumas lágrimas escapar as enxugando logo para Enzo não ver
-Luan hoje você vai ficar com ela?-Clarissa pergunta enxugando algumas lágrimas e Luan assente-então vou voltar para casa, cuida da minha menina-o da um abraço apertado e depois se abaixa beijando a testa da filha-amanhã eu estou aqui minha filha, fica com Deus
-Não vai despedir de mim vovó?-Enzo pergunta
-Claro que sim-ela o pega no colo e o da um beijo-cuida da sua mamãe
-Cuido sim, vai com Deus vovó
-Amém, fica com Ele tambem
Depois de se despedir deles, Clarissa sai chorando como sempre daquele quarto e segue mais uma vez cheia de dor para a sua casa.
-Papai, posso desenhar?-pergunta Enzo já no chão
-Pode sim, vai lá e faz um desenho bem bonito para a mamãe
Enzo vai todo alegre até a sua mesinha que ficava ali no quarto e havia várias folhas, lápis de cor, giz de cera para ele desenhar ali em cima, e se distrair enquanto Luan ficava em seu momento com Bia.
-Mais uma vez eu tô aqui com você meu amor-Luan se senta na cadeira ao lado da cama dela e encaixa suas mãos-ontem durante o show mais uma vez eu chorei sabia, cantando a nossa música, eu sei que a gente não precisa ta colado pra ta junto, mas as vezes a ausência física é importante, eu já não sei mais como esta sendo os meus dias, você ta aqui nessa cama vegetando, e eu tô vegetando junto, não tenho mais o prazer de viver, sem você tudo é estranho e eu só não fiz uma loucura, porque nosso filho precisa de mim-Luan olha de relance para Enzo todo concentrado colorindo seu desenho-ele ta crescendo meu amor, ele ta tão lindo, a cada dia me surpreendo com o que ele fala, e com o quanto ele é inteligente, você precisa acordar logo meu amor, acordar para ficar comigo, para cuidar do nosso filho, para a gente ser feliz-Luan deixa as lágrimas cair-eu sei que todos os dias eu te falo as mesmas coisas, mas é que para mim todos os dias são iguais, e cada dia que passa é um dia a menos que não passei com você, então chega de ficar assim, volta para mim, volta meu amor, é o que eu sonho e peço para Deus todos os dias, não vejo a hora de você abrir os olhos, e eu ver outra vez aquele azul intenso que é da cor do céu, do meu céu, meu paraíso particular, eu só quero que você volte-Luan já chorava descontroladamente debruçado na cama onde Bia estava
-Papai-Enzo puxava sua camisa, e ele enxugando as lágrimas olha para o filho
-O que foi Enzo?
-Meu giz de cera quebrou-mostra para o pai o giz quebrado
-Usa outra cor meu filho, tem um tanto ali
-Mas eu queria usar essa cor-diz fazendo bico-papai você ta chorando?-olha para o pai subindo no colo dele
-As vezes chorar alivia, faz bem-diz Luan olhando para o filho
-Papai não chora não, eu te amo-diz Enzo o dando um abraço e Luan retribui
-O papai tambem te ama muito, muito e muito meu filho, você é tudo para mim-Luan aperta o filho em seus braços
-Ai papai, assim você me esmaga-diz Enzo reclamando e Luan ri
-Desculpa, é que é gostoso apertar você
-Eu sei que sou gostoso-diz Enzo se gabando e Luan ri
-Menino onde você ta aprendendo essas coisas? ta indo na escola para isso?
-É que a tia Bruna tava me mostrando uns videos seu no not dela ai você falava isso-Enzo ri sapeca
-Sua tia nem para te ensinar algo que presta
-E o tio Rober me disse que você tem várias fãs gatas, e que elas sempre mandam beijo para mim
-Esse seu tio testudo tambem é outro desocupado
-Tadinho do tio Rober papai, ele pelo menos me leva para jogar futebol já você não-diz Enzo fazendo bico e voltando a se sentar em sua mesinha dos desenhos
-Isso é jeito de falar com seu pai Enzo?-Luan o repreende
-Desculpa, só disse a verdade-ele da de ombros e Luan respira fundo super chateado pois ele realmente várias vezes deixou de passar um tempinho com o filho só para ficar com Bia no hospital
-Eu sou um péssimo pai-diz Luan olhando para o alto e depois olhando para Bia-ta vendo meu amor, não ta sendo nada fácil sem você
Os dois ficaram por uma hora ali no quarto, Luan fazendo carinho, conversando com Bia, e Enzo desenhando.
-Papai eu tô com fome-ele puxa a camisa de Luan
-Quer que o papai te leve na lanchonete?
-Não quero comida de lá-ele faz bico-eu queria batata frita do shopping, a tia Bruna disse que ia me levar lá e ainda não levou
-Enzo o shopping ta longe daqui, e o papai não pode sair e deixar sua mãe sozinha por muito tempo
-Mas eu queria comer alguma coisa diferente papai, a mamãe só dorme, então custa nada deixar ela sozinha
-Meu filho-Luan respira fundo-você não entende
-Entendo sim, tudo vocês falam que eu não entendo-Enzo cruza os braços
-É que algumas coisas são complicadas demais para você entender, se você quiser amanhã o papai te leva no shopping e ai você come o que quiser, pode ser?-Enzo o olha fazendo bico e não responde nada-Enzo não olha assim para mim, se você ta com fome, vamos lá na lanchonete, hoje é dia de pastel, você adora pastel, vamos combinar assim, hoje você come aqui, e amanhã eu te prometo que a gente vai no shopping, pode ser?
-Você promete?
-Prometo, pode ser aqui hoje?
-Pode-diz Enzo finalmente cedendo-mas se você não me levar no shopping amanhã eu vou ficar de mal
-Ta bom, como o senhor quiser-Luan ri-da um beijo na mamãe e diz que daqui a pouco a gente volta para ficar com ela-diz Luan o erguendo
-Tchau mamãe, daqui a pouco eu e o papai volta, a gente vai comer pastel, você não quer um?
-Ela não pode comer meu filho-Luan sorri vendo a pergunta dele e o coloca no chão-vou só ali levar nosso filhote para comer alguma coisa e a gente já volta meu amor-Luan a da um beijo na testa e pega na mão de Enzo para seguirem até a lanchonete
Na lanchonete Enzo queria um pastel de queijo, e Luan como mal comia, acabou tomando um suco pequeno de laranja só para acompanhar o filho, que devorava o pastel e tomava suco de caju que era o seu preferido. Ainda na lanchonete eles logo viram que Gustavo chegava ali.
-Olha só quem chegou Enzo-diz Luan apontando para Gustavo, e Enzo já corre para o abraçar
-Oi tio, olha eu to comendo pastel-dizia o mostrando e Gustavo ri
-Percebi mesmo Enzo, inclusive depois seu pai vai ter que lavar bem essas suas mãozinhas
-Tio cadê a Valentina, e a Pérola, e a Vitória?
-Estão em casa com a sua tia Susan
-O meu pai falou que amanhã vamos no shopping comer batata frita, quer ir tambem?
-Agradeço o convite, mas amanhã tem apresentação de balé da Valentina
-Que legal tio
-Nossa esse menino fala demais em-diz Gustavo rindo-para quem ele puxou?
-Juro que não sei-diz Luan rindo-esse dai depois que aprendeu falar, fala mesmo
-E ai como esta a minha maninha cunhadinho?-diz Gustavo se sentando ao lado de Luan
-Do mesmo jeito né Gustavo-Luan mexe no canudo de seu suco respirando fundo
-Não aguento mais isso-diz Gustavo irritado-que maldito coma é esse? minha irmã já esta nessa situação a três anos e os médicos continuam dizendo que isso é normal, nem em novela isso é normal
-Se controla Gustavo-diz Luan o olhando já que Enzo olhava assustado para o tio da maneira que ele falava
-Desculpa Enzinho-ele olha para o sobrinho-mas é sério Luan, você fica ai e não questiona nada, não faz nada, já era para a Bia ter acordado faz tempo
-Mais do que eu faço Gustavo? eu dou minha vida por aquela mulher e você me diz que faço nada?
-Eu sei o quanto você ama a minha irmã, mas é você o dono da grana, se você não questiona os médicos, eles vão continuar dizendo que é tudo normal, e vai chagar daqui cinquenta anos e ela ainda vai estar em coma e eles dizendo que é tudo normal
-Gustavo chega-diz Luan se levantando-eu sei que o tempo ta passando, eu já estou com quase trinta anos, e porra a mulher que eu casei ta lá numa cama de hospital, sem eu saber se um dia ela vai sair de lá, e você vem aqui e fica me enchendo, se quer alguma explicação vai você questionar os médicos, o Papa, o presidente, a puta que pariu, mas me deixa em paz, deixa eu viver a minha vida assim, que droga, nem sofrer calado a gente pode mais-diz Luan saindo dali todo furioso
Enzo olhava a cena assustado e Gustavo vendo a cara do sobrinho logo o abraça e o pega no colo.
-Não liga para nada que o seu pai falou, ele ta estressado, então não fica assustado-Enzo apenas assente-fica aqui com o tio, se quiser comer mais alguma coisa é só pedir
-Eu quero um doce
-Ok, vamos ali ver o doce que você quer
Gustavo ficou com Enzo na lanchonete para o distrair e o fazer esquecer a cena em que presenciou, Luan entrou feito um furacão dentro do hospital, e quando foi entrar no quarto de Bia, viu a porta aberta e uma movimentação de médicos ali dentro.
-O que está acontecendo aqui?-Luan pergunta pressentindo que não era boa coisa
-Você que é o marido dela?-um médico que ele nunca viu o questiona
-Sim, porque?
-Sua mulher é o primeiro caso que sobrevive durante um coma por tanto tempo, fiquei sabendo do caso e quis ver com meus próprios olhos, sou o doutor Helbert-o estende a mão e Luan aperta
-Sou Luan
-Luan, se o senhor permitir faremos alguns exames na sua mulher, porque é realmente muito raro sobreviver tanto tempo a um coma, o máximo que alguem consegue chegar é a um ano, e quando isso acontece a pessoa fica totalmente dependente de outros, e chega a não sobreviver muito tempo depois que acorda
-Tudo bem doutor, só me explica aonde quer chegar com tudo isso?
-Vou resumir para você-o doutor o olha-a gente vai fazer uns exames e ver como está o sistema imunológico, excretor, reprodutivo, gástrico, pulmonar, enfim, tudo que uma pessoa precisa para viver normalmente, mas pelo o que vejo-o doutor a olha-a pele esta sem cor, pior que de uma pessoa anêmica, os cabelos estão ralos, e a pele esta muito envelhecida, ela já não esta como uma pessoa normal, sua temperatura é baixissima, e mesmo que ninguem tenha te falado ela só esta viva por causa desse aparelho que a faz respirar, fora isso, ela é considerada uma morta, e pelo jeito que estou vendo é uma morta viva
-Mas ela ainda respira, o seu coração bate, e eu sinto que ela me conhece, conhece o nosso filho doutor, então ela esta viva-diz Luan tentando argumentar sentindo que não viria coisa boa pela frente
-O duro das familias quando algum familiar se encontra em coma é isso, eles tem a certeza que eles ainda estão vivos, mas não entendem que se eles não reagirem, vão ficar dependentes apenas de aparelhos, e se por acaso ocorrer uma falta de energia no hospital e esses aparelhos desligarem, infelizmente já era, eles morrem, de um jeito ou de outro meu jovem, você vai ter que aceitar e entender que nesse estado que ela está ela não vai mais voltar, se em três anos ela não conseguiu reagir, vão passar, mais três, mais três, mais três e ela ainda vai estar aqui, então eu tenho certeza que esses exames vão ser só para comprovar a minha certeza, ela não reage mais, e nada no corpo dela trabalha para que ela tenha alguma reação, e se você quiser amenizar o seu sofrimento e o de sua familia, a decisão é sua, ou desligamos os aparelhos e ela parte sem sentir dor, já que nada dentro dela trabalha, ou então vocês deixam os aparelhos ligados alimentando essa falsa esperança, e veem ela ter uma parada cardiaca ou cardiorespiratória qualquer dia desses, e enfim morrer, a decisão é sua, aceita desligar os aparelhos ou não?
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Olá amores, três anos se passou, quanta coisa aconteceu em, e agora o que será que vai acontecer, só digo que fortes emoções os aguardam haha, comenteeem bastante, beijos <3
#FortesEmoções #UltimosCapitulos #RetaFinal
quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
129ºCapitulo
Narrado por Luan.
Minha fixa ainda não havia caído, e eu fiquei feito uma estatua ali parado sem saber o que fazer. Minha vontade era de sair correndo daquele hotel e me atirar em frente ao primeiro carro que passasse na rua, pois sem ela minha vida não faria mais sentido, eu ainda estava sem entender o porque isso tinha que acontecer com ela, sentia como se meu coração tivesse sido arrancado do peito, e minha unica reação foi chorar, vendo minha mulher presa naquele carro, sem nem saber se ela estava com vida, mas do jeito que a vi infelizmente parecia ser o fim.
Depois de um bom tempo ali parado, logo a noticia acabou de passar, e só ai me toquei no que havia acontecido, comecei a gritar feito um louco, ninguem estava sentindo a minha dor, então ninguem me entenderia, e muito menos poderia me julgar.
-PORQUE MEU DEUS, PORQUE?-estava gritando descontrolado
Senti algumas pessoas me segurarem, e eu apenas chorava, um homem me perguntava alguma coisa que eu não conseguia entender, e minha reação foi o abraçar de tão desnorteado que eu estava.
-Preciso ir para o local daquele acidente, minha mulher esta presa naquele carro, eu preciso tirar ela de lá-eu falava para as pessoas que me olhavam sem entender o que eu dizia-PORRA-gritei
Sai daquele hotel, e parei o primeiro taxi que passava por ali.
-Moço, pelo amor de Deus, o senhor esta me entendendo?-eu o suplicava em meio ao choro e ele me olhou confuso
-És brasileño?(é brasileiro?)-me perguntou com um sotaque mexicano, ou sei lá o que ele era
-Sim, eu preciso ir para o local onde aconteceu um acidente, mas não sei onde é, minha mulher ta presa naquele carro, me ajuda por favor-eu dizia desesperado
-Sólo hablo español, puedo entender me?(eu só falo espanhol, consegue me entender?)
-Cara só acelera essa porra, e me leva para o local do acidente-eu já estava me desesperando
-Yo no sé de dónde quieres ir, pero sé donde occurió un accidente señor(eu não sei aonde quer ir, mas eu sei aonde ocorreu um acidente senhor)
-Moço eu não to te entendendo, mas segue com esse carro, corta a cidade inteira se for preciso-já dizia sentindo meu coração apertar mais
Sem me dizer mais nada o taxista seguiu em frente, e eu apenas chorava em meu canto, estava tudo indo tão bem, e do nada isso acontece, o que eu não entendia era como ela foi parar naquele carro e nem o porque, minha mulher jamais sairia sem me avisar, e meu medo era de chegar no local do acidente e saber que ela havia partido, para nunca mais voltar. Eu nem calculava o tempo, apenas chorava e pensava em Bia, nos nossos planos, no nosso filho, no quanto ela me fez feliz, e como eu tinha certeza que ela ainda me faria mas feliz ainda, só que esse sonho de seguir em frente ao lado dela parece que havia se perdido, junto de meus pensamentos e do sentido de continuar vivendo. Só notei que estava no lugar certo, quando avistei uma enorme movimentação mais a frente da estrada, havia policiais, ambulância, imprensa, bombeiros, de tudo, e meu coração só diminuía dentro de mim conforme me aproximava. Logo o taxista parou o carro, e eu desci rapidamente nem o dando tempo de me dizer algo, corri em direção aquela aglomeração de pessoas, e de lá de onde eu estava dava para ver um carro tombado de cabeça para baixo no fundo daquele penhasco. Eu sai fora de mim, quando estava a um passo de me jogar dali senti alguem forte me agarrar e me dizer algo que não entendi mas foda-se, se ela havia morrido eu tambem queria morrer minha vida não iria fazer mais sentido sem ela.
-ME SOLTA, EU QUERO MORRER PORRA, SEM A MINHA MULHER NADA FAZ MAIS SENTIDO
Eu gritava e tentava me soltar, mas as pessoas que me seguravam eram fortes, e me arrastaram para longe da beirada do penhasco, mesmo contra minha vontade. Eles ainda me seguravam forte, e eu xingava, gritava, chorava, mas ninguem ali poderia me entender, ninguem ali sabia que meu amor estava ali presa naquele carro.
-Se acalma por favor-disse uma mulher que falava um português meio embaraçado-é brasileiro?-apenas assenti-o que aconteceu meu jovem? pude entender algumas coisas que disse
-É a minha mulher que ta presa naquele carro, eu preciso tirar ela de lá, me ajuda por favor-eu a implorava em meio as lágrimas e a vi me olhar com pena e suspirar fundo
-Lamento meu jovem, ela morreu na hora e...
-Isso não ta acontecendo-eu neguei com a cabeça e mais lágrimas vieram-ME SOLTEM-eu tentava com mais força ainda me soltar daqueles homens fortes que me seguravam e a mulher parou na minha frente tentando me impedir de sair dali
-O senhor precisa manter a calma, e nos passar as informações sobre sua mulher se é realmente ela que estava naquele carro-ela me olhava com pena
-Eu preciso ver ela-disse com a voz falha
-Se acalma, já estão trazendo o corpo aqui para cima, lamento muito sua perda-me disse lamentando e depois seguiu conversando com umas pessoas ali
Agora era certeza, eu havia a perdido, mais uma vez tentei me soltar daqueles homens, mas minhas forças já eram falhas, nada me importava mais nesse mundo, se o amor da minha vida já não tinha mais vida, quem é que iria me fazer feliz? quem é que construiria uma familia ao meu lado? se não fosse ela não seria mais ninguem, e naquele momento de tanta dor em meu peito, olhei para o céu e questionei a Deus o que eu fiz para merecer tanta dor, e porque Ele me tirou ela, se fosse para isso acontecer era para ter me levado junto, pois eu não estava suportando essa dor, que era maior e mais forte que eu, e sabia que nunca iria a suportar.
-Senhor-a mesma mulher apareceu outra vez me chamando e eu apenas a olhei, me sentindo o mais derrotado dos homens-já esta ali o corpo da sua mulher, venha fazer o reconhecimento-apontou para uma maca e quando vi aqueles cabelos loiros mesmo ao longe minhas pernas falharam, eu não teria forças o suficiente para a ver assim-seja forte
Depois de tentar me recompor por vários minutos, minhas pernas bambearam, e eu decidi que não iria ali, pois sabia que se a vesse minha dor seria maior.
-O senhor não esta se sentindo bem?-a mulher me questionou e eu apenas assenti em meio as lágrimas
Ela parecia pedir algo, e logo trouxeram uma cadeira até onde eu estava, os homens que me seguravam me sentaram ali e aos poucos senti que eles me soltaram.
-Olha, mesmo que o senhor não queira, é preciso fazer o reconhecimento do corpo pois não encontraram documentos no carro
-Eu não quero a ver assim-disse em um fio de voz
-Fique uns minutos se recuperando aqui, e depois eu volto aqui para ver se esta tudo bem-apenas assenti desnorteado-havia uma outra mulher com ela no carro, e essa esta presa nas ferragens, e se demorarem mais cinco minutos os bombeiros vão desistir e deixa-la pois o carro já esta quase pegando fogo
Assenti outra vez, e já não raciocinava mais, minha mente estava vazia, meu coração estava vazio, e eu não aceitava a minha realidade, a qual eu teria que encarar daqui para frente. Estava inerte em meus pensamentos, quando uma explosão me fez sair do transe, eu já estava nem ai com nada, aquele maldito carro finalmente queimou. De repente vi umas pessoas gritando e pareciam comemorar algo, bombeiros saiam do fundo do penhasco e eram parabenizados e aplaudidos, tive que rir disso, bela coisa fizeram, só tiraram o corpo da minha mulher daquele carro, e ainda são recebidos assim, se pelo menos ela estivesse com vida eu mesmo iria os abraçar e os parabenizar, mas infelizmente eles não tinham conseguido.
-Senhor-a mulher chega com uma expressão mais alegre até mim-os bombeiros conseguiram tirar a outra mulher presa nas ferragens de dentro do carro, e parece que essa ainda esta com vida, venha ver se a reconhece
Ela me puxou e mesmo andando feito um zumbi me aproximei do corpo da outra mulher que eles resgataram, mal deu para ver o rosto dela pois estava todo machucado e ela já estava com o colar cervical pronta para ser levada com urgência ao hospital, e não me deixaram chegar mais perto para vê-la melhor.
-A conhece?-a mulher me perguntou
-Não sei-disse dando de ombros
-Quer ver o corpo da sua mulher? eles já estão levando para a pericia e precisa de alguma resposta sua
Apenas assenti, não me adiantaria fugir, eu teria que encarar a realidade, por mais dolorosa que seja. A mulher falou com umas pessoas que mexiam no corpo e depois disso eles me deram espaço para passar, mas eu não queria sair do lugar, eles abriram o pano que cobria o corpo e um arrepio seguido de um alivio percorreu o meu corpo.
-Essa dai não é a minha mulher-disse a olhando, e eu parecia a conhecer sim, mas não era a Bia
-Não é sua mulher? então quem é?-a mulher me perguntava sem entender
-Eu não sei-olhava a morta e tentava me lembrar
-Mas e a outra você não reconheceu?-só ai que me lembrei da outra mulher que os bombeiros tiraram de dentro do carro
-Obrigada Deus-disse sentindo minhas forças retornarem
Não sei o que me deu naquela hora mas corri até aonde o corpo da outra mulher que havia sido resgatada com vida estava, porém ela já não estava mais ali e as portas da UTI móvel se fechavam, corri feito doido até lá batendo na porta, mas foi em vão, eles já seguiram em frente. Me lembrei do taxista que havia me levado até ali e voltei correndo o vendo ainda estacionado aonde me deixou, entrei no táxi correndo e o dei um toque todo feliz.
-Segue em frente cara, minha mulher ta viva e ta indo para algum hospital de emergência
Ele deve ter me entendido, e dando ré no carro logo pegamos estrada de novo, e dessa vez eu agradecia a Deus por ter me dado mais uma chance, ou melhor por ter a dado mais uma chance. Esse parecia o percurso mais longo de toda a minha vida, e assim que o taxista parou em frente a um hospital eu já ia descer correndo quando ele travou a porta.
-Y mi dinero?(e meu dinheiro?)-perguntou me olhando como se eu fosse um golpista
-Desculpa-ri me lembrando que não havia o pagado
Tirei nem sei quanto de dinheiro da carteira e o entreguei.
-Fica com o troco e muito obrigado cara
Desci o mais depressa possível do carro, e entrei naquele enorme hospital, olhei para um lado, olhei para o outro, e meio perdido fui até a recepção.
-Chegou alguma mulher que sofreu algum acidente aqui agora?-perguntei desesperado e a moça da recepção me olhou sem entender
Ela pareceu conversar com alguem no telefone me apontando, e eu apenas queria saber se minha mulher estava ali. Fiquei um tempo a vendo conversar no telefone sem entender nada, quando sinto alguem tocar meu ombro.
-Senhor, o que faz aqui? me explica o que aconteceu? porque sumiu daquele jeito?-era a mesma mulher que eu havia conversado aquela hora me questionando sem entender
-Moça, eu preciso saber aonde está aquela outra moça do acidente, ela entrou aqui?
-Sim, ela...
-Ela só pode ser minha mulher, claro-eu ri-devia ter percebido isso antes
-Senhor, ela deu entrada aqui sim, mas o estado é grave e ela esta na sala de cirurgia-diz me olhando com um semblante sério, me fazendo temer por dentro
-Cirurgia? como assim?-perguntei já me preocupando
-Olha eu não sei de mais nada, vou tentar me informar e venho lhe dizer o que está acontecendo, aguarde ali-me apontou umas poltronas
-Mas moça eu preciso ver ela...
-Não tem como, então aguarde ali por mais noticias-apenas me disse isso e entrou em uma ala restrita do hospital
De mãos atadas e sem saber o que fazer me sentei em uma daquelas enormes poltronas, fiquei brincando com os dedos pensativo e alisei minha aliança de casamento, fechei os olhos e pedia para Deus abençoar aquela cirurgia e cuidar da minha menina, já que Ele a livrou da morte uma vez, eu estava confiante que a livraria outra vez.
Acordei sentindo alguem me sacudir, e aos poucos fui abrindo os olhos meio sonolento, e vi que era a mulher que havia ficado de me dar informações, eu devo ter pegado no sono enquanto a esperava.
-Senhor, me acompanhe por favor-me olhou com um semblante sério
Meio desnorteado me levantei e a segui até uma sala, onde ela fechou a porta e me olhava sério.
-Ainda não nos apresentamos, eu sou Rebecca, e você?
-Sou o Luan, Luan Santana-disse já prevendo que não era coisa boa
-Então Luan, preciso que você me passe os dados de sua mulher-disse se sentando em frente a uma mesa e anotando umas coisas-qual o nome completo dela?
-Ana Beatriz de Lima Fiacadore Santana
-Idade?
-Tem 24 anos
-Por acaso esta com algum documento dela ai?
-Não, só com os meus, serve?
-De qualquer jeito vou precisar deles, então me empresta aqui-a entreguei meus documentos e ela fez algumas anotações
-Rebecca né?-ela assentiu-você é enfermeira ou algo do tipo?
-Eu sou cardiologista, e por sorte sua já vivi alguns anos no Brasil por isso sei falar bem o português
-Mas como está a minha mulher? eu posso a ver? ela já fez a tal cirurgia?
-Eu não sei como vou te falar isso-respirou fundo me olhando-sua mulher está viva por um milagre, porque os ferimentos dela foram muitos e muito graves, a outra mulher que morreu no local não estava tão ferida quanto sua mulher, e parece que um homem reconheceu o corpo dela ali, mas voltando a falar da sua mulher, em primeiro lugar eu preciso de urgentemente uma bolsa de sangue, os estoques do hospital só tem sangue A e B, e o dela é O- então é mais raro de ter, e...
-Eu posso doar sangue para ela?-perguntei louco ao saber que minha mulher necessitava de algo
-Seu sangue é O-?
-Não sei, eu só quero doar meu sangue para ela
-No seu estado, nem se fosse O- seu sangue, você poderia doar, pois esta emocionalmente abalado, mal alimentado e dormiu mal naquela poltrona do hospital, já estamos em busca de alguma bolsa de sangue desse tipo, mas esse é o menor dos problemas-diz me encarando sério-sua mulher passou por uma cirurgia grave, e teve varias paradas cardíacas, o que a fez entrar em coma
-O que? em coma?-me desesperei
-E a má noticia é que esse coma é indeterminado, a cirurgia teve que ser finalizada urgentemente, e os médicos deram certeza que se ela sobreviver, irá levar varias sequelas, uma delas é a perca da memória total ou parcial, além de poder ficar paraplégica, devido a lesão forte que teve na cabeça, e principalmente por suas pernas ficarem presas nas ferragens, a chance de ela voltar a andar ou ficar em postura reta é nula, e agora a decisão é sua, se vai querer a deixar internada aqui ou vai querer a transferir para o Brasil, mas eu te digo que para isso acontecer o processo irá custar milhões, e a chance de sobrevivência é quase zero por cento se acaso ocorrer a transferência do corpo
Era muita informação para a minha mente, aconteceu tanta coisa em tão pouco tempo, e eu recebendo tanta noticia forte, não iria conseguir pensar direito, muito menos decidir nada.
-Eu apenas quero vê-la, isso é possível?-perguntei me sentindo derrotado
-Acho bem dificil eles liberarem a entrada de alguem, ainda mais depois de uma cirurgia complicada como aquela e ela estar no estado de coma-ela era muito direta e isso as vezes não é bom para quem esta recebendo a noticia
-Eu só quero ver ela-a olhei suplicando-eu não vou nem tocar nela, eu só quero ver a minha mulher, saber que ela ainda respira e que pode ter a chance de voltar a viver um dia-disse já deixando uma lágrima escorrer e ela deu um longo suspiro
-Vou ver o que consigo, mas acho bem difícil conseguir que liberem sua entrada, volte para a sala de espera, que qualquer coisa vou lá o chamar-assenti deixando umas lágrimas correr
Voltei outra vez a sala de espera, e ali era bem sofrido, pessoas chorando, outras dormindo escoradas cheias de olheiras, voltei a me sentar na mesma poltrona que estava antes, e pedia a Deus para me deixarem ver a minha mulher. O tempo foi passando, e o relógio eletrônico do hospital já marcava 01:30 hrs da manhã, pois é, o dia passou e eu estava ali plantado naquele hospital, com a esperança de pelo menos ver Bia, a mulher da minha vida, que agora estava em coma, e num jogo entre a vida e a morte. Por volta das 02:35 hrs da manhã, eu já estava quase dormindo outra vez quando alguem me cutuca.
-Luan, os médicos que estão cuidando do caso da sua mulher, finalmente liberaram a sua entrada, mas você tem que ser rápido, colocar a roupa especial, e não pode demorar mais que cinco minutos dentro do quarto
Me levantei mais que depressa e fui a seguindo até uma parte bem lá mais no fundo do hospital, ela me entregou umas roupas azuis, mascara, touca, botas, tudo, e me explicou como eu deveria colocar. Depois que me troquei com aquela roupa estranha, ela já me esperava do lado de fora e apontou para um corredor.
-Você segue até o fim desse corredor e vira para a direita, no segundo quarto você entra, é onde ela esta, mas não se esqueça que são só cinco minutos, se não eles vão lá te tirar a força
-Eu entendi, obrigada por tudo-disse emocionado indo a abraçar mas ela se desvencilhou
-Luan você esta com uma roupa especial justamente para não ter contato com nada e não levar nenhuma bactéria para o quarto, me desculpe se fui grossa
-Tudo bem, eu entendo-sorri de canto e olhei para aquele enorme corredor
-Quanto mais tempo você demorar aqui, menos tempo você terá com a sua mulher
Após ela me dizer isso, segui em frente e fiz como ela falou, virei para a direita, e quando cheguei em frente a porta do segundo quarto, um arrepio percorreu o meu corpo, só depois de respirar fundo consegui abrir aquela porta, e me doeu muito a ver daquele jeito, com certeza era a pior cena da minha vida, mal me aproximei e lágrimas já invadiam meu rosto.

-Porque tinha que ser você?-disse dando alguns passos em direção a cama dela, com o coração rasgando cada vez mais dentro do peito
Aos poucos me aproximei dela, a vendo cheia de aparelhos pelo corpo, com o rosto totalmente machucado, vários curativos na testa, e sabendo que aquela maldita máquina ligada e instalada em suas narinas, era o que a mantinha com vida, com certeza eu preferia mil vezes estar ali no lugar dela, do que a vendo sofrer naquele estado.
-O que aconteceu meu amor?-peguei de leve em sua mão-eu nunca vou me perdoar por isso, era para mim te proteger e cuidar de você, mas eu me descuidei e sei lá como você foi parar naquele maldito carro, e tudo isso aconteceu-eu já chorava uma enxurrada-me perdoa meu amor? volta pra mim, eu só te peço para voltar-dizia segurando forte em sua mão gélida e o unico barulho ali dentro daquele quarto era o constante pi... pi... pi... do aparelho e meu choro de dor
Ela era tão linda, tão minha, quantas as vezes eu beijei aquela boca, toquei aquele corpo e a fiz minha, só minha, mas agora ela estava ali naquela cama em coma, e só Deus sabe até quando ela vai ficar ali, minha esperança é que ela saia logo daquela situação, mas algo dentro de mim sente que não vai ser tão fácil assim e talvez minha ultima lembrança dela seja essa. Uma mulher entrou no quarto me dizendo algo e me apontando a porta, tudo foi tão rápido, mal pude a ver direito, e já teria que sair, a dei um beijo na mão e outro na testa, mesmo com aquela mascará e a mulher pareceu me repreender, mas não entendia o que ela falava então ignorei.
-Eu não vou sair de perto de você meu amor, fica com Deus, eu te amo-a disse bem perto de seu ouvido, e já sentia a mulher me puxar
Mesmo morrendo de vontade de ficar ali grudado nela, eu tive que sair, estava perdido para onde ir mas Rebecca me esperava na porta e me guiou até onde estavam minhas roupas e eu pude me trocar.
-Como esta?-perguntou já prevendo a resposta
-Mal-disse com a voz embargada pelo choro-eu não sei como isso foi acontecer, eu não acho nenhuma explicação para isso
-Eu espero que você fique bem logo, pois precisa tratar sobre a transferência da sua mulher, ela só pode ficar 24 horas aqui no hospital, pois vocês não são do país e existe muita burocracia para quem é de outro país, principalmente os brasileiros
-Então vou ter que transferir minha mulher para outro hospital?
-Sim, se for aqui em Paris mesmo, terá que ser um particular, e olha é bem caro, ou então se preferir a transferir para o Brasil o sistema custa milhões como eu já havia te dito, e é mais arriscado, mas você tem que decidir o que é melhor para você e a sua família-só ai me lembrei que fiquei o dia todo sem falar com ninguem do Brasil, e todos deviam estar morrendo de preocupação
-Olha eu tô muito cansado e não sei nem como ainda estou de pé-a disse a realidade-vou voltar para o hotel onde estávamos hospedados, tomar um banho e já volto para cá com a resposta
-Tudo bem-ela assentiu
Ia saindo do hospital, quando Rebecca me parou.
-Quer uma carona? parece que você não se da muito bem com o Francês, e um táxi com alguem que te entenda a essas horas no seu estado vai ser dificil
-Mais uma vez obrigado, e acho bom aceitar essa carona
Rebecca estava sendo bem gentil comigo, durante o caminho quase não trocamos palavras, e logo já estava em frente ao hotel onde estava hospedado. Quando entrei naquele quarto, fortes lembranças me invadiram, o cheiro dela parecia estampado ali em cada canto, e vendo algumas coisas dela espalhadas pela cama só fez meu coração doer mais, lágrimas e mais lágrimas rolavam, me sentei na cama e abracei algumas peças de roupas dela que encontrei, aquele cheiro era meu vicio, e demorei me recompor para finalmente ir tomar um banho e decidir o que fazer da minha vida, afinal estava tudo em minhas mãos, e eu não queria fazer o melhor para mim, mas sim o melhor para ela, não queria arriscar a vida da minha mulher, então durante o meu banho pensava em todas as possibilidades, e por fim já havia tomado a minha decisão.
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Olá amores, quanta coisa acontecendo, e ai o que será que Luan decidiu? comenteeeem bastante, e espero que tenham gostado, beijos <3
#FortesEmoções #UltimosCapitulos #RetaFinal
Minha fixa ainda não havia caído, e eu fiquei feito uma estatua ali parado sem saber o que fazer. Minha vontade era de sair correndo daquele hotel e me atirar em frente ao primeiro carro que passasse na rua, pois sem ela minha vida não faria mais sentido, eu ainda estava sem entender o porque isso tinha que acontecer com ela, sentia como se meu coração tivesse sido arrancado do peito, e minha unica reação foi chorar, vendo minha mulher presa naquele carro, sem nem saber se ela estava com vida, mas do jeito que a vi infelizmente parecia ser o fim.
Depois de um bom tempo ali parado, logo a noticia acabou de passar, e só ai me toquei no que havia acontecido, comecei a gritar feito um louco, ninguem estava sentindo a minha dor, então ninguem me entenderia, e muito menos poderia me julgar.
-PORQUE MEU DEUS, PORQUE?-estava gritando descontrolado
Senti algumas pessoas me segurarem, e eu apenas chorava, um homem me perguntava alguma coisa que eu não conseguia entender, e minha reação foi o abraçar de tão desnorteado que eu estava.
-Preciso ir para o local daquele acidente, minha mulher esta presa naquele carro, eu preciso tirar ela de lá-eu falava para as pessoas que me olhavam sem entender o que eu dizia-PORRA-gritei
Sai daquele hotel, e parei o primeiro taxi que passava por ali.
-Moço, pelo amor de Deus, o senhor esta me entendendo?-eu o suplicava em meio ao choro e ele me olhou confuso
-És brasileño?(é brasileiro?)-me perguntou com um sotaque mexicano, ou sei lá o que ele era
-Sim, eu preciso ir para o local onde aconteceu um acidente, mas não sei onde é, minha mulher ta presa naquele carro, me ajuda por favor-eu dizia desesperado
-Sólo hablo español, puedo entender me?(eu só falo espanhol, consegue me entender?)
-Cara só acelera essa porra, e me leva para o local do acidente-eu já estava me desesperando
-Yo no sé de dónde quieres ir, pero sé donde occurió un accidente señor(eu não sei aonde quer ir, mas eu sei aonde ocorreu um acidente senhor)
-Moço eu não to te entendendo, mas segue com esse carro, corta a cidade inteira se for preciso-já dizia sentindo meu coração apertar mais
Sem me dizer mais nada o taxista seguiu em frente, e eu apenas chorava em meu canto, estava tudo indo tão bem, e do nada isso acontece, o que eu não entendia era como ela foi parar naquele carro e nem o porque, minha mulher jamais sairia sem me avisar, e meu medo era de chegar no local do acidente e saber que ela havia partido, para nunca mais voltar. Eu nem calculava o tempo, apenas chorava e pensava em Bia, nos nossos planos, no nosso filho, no quanto ela me fez feliz, e como eu tinha certeza que ela ainda me faria mas feliz ainda, só que esse sonho de seguir em frente ao lado dela parece que havia se perdido, junto de meus pensamentos e do sentido de continuar vivendo. Só notei que estava no lugar certo, quando avistei uma enorme movimentação mais a frente da estrada, havia policiais, ambulância, imprensa, bombeiros, de tudo, e meu coração só diminuía dentro de mim conforme me aproximava. Logo o taxista parou o carro, e eu desci rapidamente nem o dando tempo de me dizer algo, corri em direção aquela aglomeração de pessoas, e de lá de onde eu estava dava para ver um carro tombado de cabeça para baixo no fundo daquele penhasco. Eu sai fora de mim, quando estava a um passo de me jogar dali senti alguem forte me agarrar e me dizer algo que não entendi mas foda-se, se ela havia morrido eu tambem queria morrer minha vida não iria fazer mais sentido sem ela.
-ME SOLTA, EU QUERO MORRER PORRA, SEM A MINHA MULHER NADA FAZ MAIS SENTIDO
Eu gritava e tentava me soltar, mas as pessoas que me seguravam eram fortes, e me arrastaram para longe da beirada do penhasco, mesmo contra minha vontade. Eles ainda me seguravam forte, e eu xingava, gritava, chorava, mas ninguem ali poderia me entender, ninguem ali sabia que meu amor estava ali presa naquele carro.
-Se acalma por favor-disse uma mulher que falava um português meio embaraçado-é brasileiro?-apenas assenti-o que aconteceu meu jovem? pude entender algumas coisas que disse
-É a minha mulher que ta presa naquele carro, eu preciso tirar ela de lá, me ajuda por favor-eu a implorava em meio as lágrimas e a vi me olhar com pena e suspirar fundo
-Lamento meu jovem, ela morreu na hora e...
-Isso não ta acontecendo-eu neguei com a cabeça e mais lágrimas vieram-ME SOLTEM-eu tentava com mais força ainda me soltar daqueles homens fortes que me seguravam e a mulher parou na minha frente tentando me impedir de sair dali
-O senhor precisa manter a calma, e nos passar as informações sobre sua mulher se é realmente ela que estava naquele carro-ela me olhava com pena
-Eu preciso ver ela-disse com a voz falha
-Se acalma, já estão trazendo o corpo aqui para cima, lamento muito sua perda-me disse lamentando e depois seguiu conversando com umas pessoas ali
Agora era certeza, eu havia a perdido, mais uma vez tentei me soltar daqueles homens, mas minhas forças já eram falhas, nada me importava mais nesse mundo, se o amor da minha vida já não tinha mais vida, quem é que iria me fazer feliz? quem é que construiria uma familia ao meu lado? se não fosse ela não seria mais ninguem, e naquele momento de tanta dor em meu peito, olhei para o céu e questionei a Deus o que eu fiz para merecer tanta dor, e porque Ele me tirou ela, se fosse para isso acontecer era para ter me levado junto, pois eu não estava suportando essa dor, que era maior e mais forte que eu, e sabia que nunca iria a suportar.
-Senhor-a mesma mulher apareceu outra vez me chamando e eu apenas a olhei, me sentindo o mais derrotado dos homens-já esta ali o corpo da sua mulher, venha fazer o reconhecimento-apontou para uma maca e quando vi aqueles cabelos loiros mesmo ao longe minhas pernas falharam, eu não teria forças o suficiente para a ver assim-seja forte
Depois de tentar me recompor por vários minutos, minhas pernas bambearam, e eu decidi que não iria ali, pois sabia que se a vesse minha dor seria maior.
-O senhor não esta se sentindo bem?-a mulher me questionou e eu apenas assenti em meio as lágrimas
Ela parecia pedir algo, e logo trouxeram uma cadeira até onde eu estava, os homens que me seguravam me sentaram ali e aos poucos senti que eles me soltaram.
-Olha, mesmo que o senhor não queira, é preciso fazer o reconhecimento do corpo pois não encontraram documentos no carro
-Eu não quero a ver assim-disse em um fio de voz
-Fique uns minutos se recuperando aqui, e depois eu volto aqui para ver se esta tudo bem-apenas assenti desnorteado-havia uma outra mulher com ela no carro, e essa esta presa nas ferragens, e se demorarem mais cinco minutos os bombeiros vão desistir e deixa-la pois o carro já esta quase pegando fogo
Assenti outra vez, e já não raciocinava mais, minha mente estava vazia, meu coração estava vazio, e eu não aceitava a minha realidade, a qual eu teria que encarar daqui para frente. Estava inerte em meus pensamentos, quando uma explosão me fez sair do transe, eu já estava nem ai com nada, aquele maldito carro finalmente queimou. De repente vi umas pessoas gritando e pareciam comemorar algo, bombeiros saiam do fundo do penhasco e eram parabenizados e aplaudidos, tive que rir disso, bela coisa fizeram, só tiraram o corpo da minha mulher daquele carro, e ainda são recebidos assim, se pelo menos ela estivesse com vida eu mesmo iria os abraçar e os parabenizar, mas infelizmente eles não tinham conseguido.
-Senhor-a mulher chega com uma expressão mais alegre até mim-os bombeiros conseguiram tirar a outra mulher presa nas ferragens de dentro do carro, e parece que essa ainda esta com vida, venha ver se a reconhece
Ela me puxou e mesmo andando feito um zumbi me aproximei do corpo da outra mulher que eles resgataram, mal deu para ver o rosto dela pois estava todo machucado e ela já estava com o colar cervical pronta para ser levada com urgência ao hospital, e não me deixaram chegar mais perto para vê-la melhor.
-A conhece?-a mulher me perguntou
-Não sei-disse dando de ombros
-Quer ver o corpo da sua mulher? eles já estão levando para a pericia e precisa de alguma resposta sua
Apenas assenti, não me adiantaria fugir, eu teria que encarar a realidade, por mais dolorosa que seja. A mulher falou com umas pessoas que mexiam no corpo e depois disso eles me deram espaço para passar, mas eu não queria sair do lugar, eles abriram o pano que cobria o corpo e um arrepio seguido de um alivio percorreu o meu corpo.
-Essa dai não é a minha mulher-disse a olhando, e eu parecia a conhecer sim, mas não era a Bia
-Não é sua mulher? então quem é?-a mulher me perguntava sem entender
-Eu não sei-olhava a morta e tentava me lembrar
-Mas e a outra você não reconheceu?-só ai que me lembrei da outra mulher que os bombeiros tiraram de dentro do carro
-Obrigada Deus-disse sentindo minhas forças retornarem
Não sei o que me deu naquela hora mas corri até aonde o corpo da outra mulher que havia sido resgatada com vida estava, porém ela já não estava mais ali e as portas da UTI móvel se fechavam, corri feito doido até lá batendo na porta, mas foi em vão, eles já seguiram em frente. Me lembrei do taxista que havia me levado até ali e voltei correndo o vendo ainda estacionado aonde me deixou, entrei no táxi correndo e o dei um toque todo feliz.
-Segue em frente cara, minha mulher ta viva e ta indo para algum hospital de emergência
Ele deve ter me entendido, e dando ré no carro logo pegamos estrada de novo, e dessa vez eu agradecia a Deus por ter me dado mais uma chance, ou melhor por ter a dado mais uma chance. Esse parecia o percurso mais longo de toda a minha vida, e assim que o taxista parou em frente a um hospital eu já ia descer correndo quando ele travou a porta.
-Y mi dinero?(e meu dinheiro?)-perguntou me olhando como se eu fosse um golpista
-Desculpa-ri me lembrando que não havia o pagado
Tirei nem sei quanto de dinheiro da carteira e o entreguei.
-Fica com o troco e muito obrigado cara
Desci o mais depressa possível do carro, e entrei naquele enorme hospital, olhei para um lado, olhei para o outro, e meio perdido fui até a recepção.
-Chegou alguma mulher que sofreu algum acidente aqui agora?-perguntei desesperado e a moça da recepção me olhou sem entender
Ela pareceu conversar com alguem no telefone me apontando, e eu apenas queria saber se minha mulher estava ali. Fiquei um tempo a vendo conversar no telefone sem entender nada, quando sinto alguem tocar meu ombro.
-Senhor, o que faz aqui? me explica o que aconteceu? porque sumiu daquele jeito?-era a mesma mulher que eu havia conversado aquela hora me questionando sem entender
-Moça, eu preciso saber aonde está aquela outra moça do acidente, ela entrou aqui?
-Sim, ela...
-Ela só pode ser minha mulher, claro-eu ri-devia ter percebido isso antes
-Senhor, ela deu entrada aqui sim, mas o estado é grave e ela esta na sala de cirurgia-diz me olhando com um semblante sério, me fazendo temer por dentro
-Cirurgia? como assim?-perguntei já me preocupando
-Olha eu não sei de mais nada, vou tentar me informar e venho lhe dizer o que está acontecendo, aguarde ali-me apontou umas poltronas
-Mas moça eu preciso ver ela...
-Não tem como, então aguarde ali por mais noticias-apenas me disse isso e entrou em uma ala restrita do hospital
De mãos atadas e sem saber o que fazer me sentei em uma daquelas enormes poltronas, fiquei brincando com os dedos pensativo e alisei minha aliança de casamento, fechei os olhos e pedia para Deus abençoar aquela cirurgia e cuidar da minha menina, já que Ele a livrou da morte uma vez, eu estava confiante que a livraria outra vez.
Acordei sentindo alguem me sacudir, e aos poucos fui abrindo os olhos meio sonolento, e vi que era a mulher que havia ficado de me dar informações, eu devo ter pegado no sono enquanto a esperava.
-Senhor, me acompanhe por favor-me olhou com um semblante sério
Meio desnorteado me levantei e a segui até uma sala, onde ela fechou a porta e me olhava sério.
-Ainda não nos apresentamos, eu sou Rebecca, e você?
-Sou o Luan, Luan Santana-disse já prevendo que não era coisa boa
-Então Luan, preciso que você me passe os dados de sua mulher-disse se sentando em frente a uma mesa e anotando umas coisas-qual o nome completo dela?
-Ana Beatriz de Lima Fiacadore Santana
-Idade?
-Tem 24 anos
-Por acaso esta com algum documento dela ai?
-Não, só com os meus, serve?
-De qualquer jeito vou precisar deles, então me empresta aqui-a entreguei meus documentos e ela fez algumas anotações
-Rebecca né?-ela assentiu-você é enfermeira ou algo do tipo?
-Eu sou cardiologista, e por sorte sua já vivi alguns anos no Brasil por isso sei falar bem o português
-Mas como está a minha mulher? eu posso a ver? ela já fez a tal cirurgia?
-Eu não sei como vou te falar isso-respirou fundo me olhando-sua mulher está viva por um milagre, porque os ferimentos dela foram muitos e muito graves, a outra mulher que morreu no local não estava tão ferida quanto sua mulher, e parece que um homem reconheceu o corpo dela ali, mas voltando a falar da sua mulher, em primeiro lugar eu preciso de urgentemente uma bolsa de sangue, os estoques do hospital só tem sangue A e B, e o dela é O- então é mais raro de ter, e...
-Eu posso doar sangue para ela?-perguntei louco ao saber que minha mulher necessitava de algo
-Seu sangue é O-?
-Não sei, eu só quero doar meu sangue para ela
-No seu estado, nem se fosse O- seu sangue, você poderia doar, pois esta emocionalmente abalado, mal alimentado e dormiu mal naquela poltrona do hospital, já estamos em busca de alguma bolsa de sangue desse tipo, mas esse é o menor dos problemas-diz me encarando sério-sua mulher passou por uma cirurgia grave, e teve varias paradas cardíacas, o que a fez entrar em coma
-O que? em coma?-me desesperei
-E a má noticia é que esse coma é indeterminado, a cirurgia teve que ser finalizada urgentemente, e os médicos deram certeza que se ela sobreviver, irá levar varias sequelas, uma delas é a perca da memória total ou parcial, além de poder ficar paraplégica, devido a lesão forte que teve na cabeça, e principalmente por suas pernas ficarem presas nas ferragens, a chance de ela voltar a andar ou ficar em postura reta é nula, e agora a decisão é sua, se vai querer a deixar internada aqui ou vai querer a transferir para o Brasil, mas eu te digo que para isso acontecer o processo irá custar milhões, e a chance de sobrevivência é quase zero por cento se acaso ocorrer a transferência do corpo
Era muita informação para a minha mente, aconteceu tanta coisa em tão pouco tempo, e eu recebendo tanta noticia forte, não iria conseguir pensar direito, muito menos decidir nada.
-Eu apenas quero vê-la, isso é possível?-perguntei me sentindo derrotado
-Acho bem dificil eles liberarem a entrada de alguem, ainda mais depois de uma cirurgia complicada como aquela e ela estar no estado de coma-ela era muito direta e isso as vezes não é bom para quem esta recebendo a noticia
-Eu só quero ver ela-a olhei suplicando-eu não vou nem tocar nela, eu só quero ver a minha mulher, saber que ela ainda respira e que pode ter a chance de voltar a viver um dia-disse já deixando uma lágrima escorrer e ela deu um longo suspiro
-Vou ver o que consigo, mas acho bem difícil conseguir que liberem sua entrada, volte para a sala de espera, que qualquer coisa vou lá o chamar-assenti deixando umas lágrimas correr
Voltei outra vez a sala de espera, e ali era bem sofrido, pessoas chorando, outras dormindo escoradas cheias de olheiras, voltei a me sentar na mesma poltrona que estava antes, e pedia a Deus para me deixarem ver a minha mulher. O tempo foi passando, e o relógio eletrônico do hospital já marcava 01:30 hrs da manhã, pois é, o dia passou e eu estava ali plantado naquele hospital, com a esperança de pelo menos ver Bia, a mulher da minha vida, que agora estava em coma, e num jogo entre a vida e a morte. Por volta das 02:35 hrs da manhã, eu já estava quase dormindo outra vez quando alguem me cutuca.
-Luan, os médicos que estão cuidando do caso da sua mulher, finalmente liberaram a sua entrada, mas você tem que ser rápido, colocar a roupa especial, e não pode demorar mais que cinco minutos dentro do quarto
Me levantei mais que depressa e fui a seguindo até uma parte bem lá mais no fundo do hospital, ela me entregou umas roupas azuis, mascara, touca, botas, tudo, e me explicou como eu deveria colocar. Depois que me troquei com aquela roupa estranha, ela já me esperava do lado de fora e apontou para um corredor.
-Você segue até o fim desse corredor e vira para a direita, no segundo quarto você entra, é onde ela esta, mas não se esqueça que são só cinco minutos, se não eles vão lá te tirar a força
-Eu entendi, obrigada por tudo-disse emocionado indo a abraçar mas ela se desvencilhou
-Luan você esta com uma roupa especial justamente para não ter contato com nada e não levar nenhuma bactéria para o quarto, me desculpe se fui grossa
-Tudo bem, eu entendo-sorri de canto e olhei para aquele enorme corredor
-Quanto mais tempo você demorar aqui, menos tempo você terá com a sua mulher
Após ela me dizer isso, segui em frente e fiz como ela falou, virei para a direita, e quando cheguei em frente a porta do segundo quarto, um arrepio percorreu o meu corpo, só depois de respirar fundo consegui abrir aquela porta, e me doeu muito a ver daquele jeito, com certeza era a pior cena da minha vida, mal me aproximei e lágrimas já invadiam meu rosto.
-Porque tinha que ser você?-disse dando alguns passos em direção a cama dela, com o coração rasgando cada vez mais dentro do peito
Aos poucos me aproximei dela, a vendo cheia de aparelhos pelo corpo, com o rosto totalmente machucado, vários curativos na testa, e sabendo que aquela maldita máquina ligada e instalada em suas narinas, era o que a mantinha com vida, com certeza eu preferia mil vezes estar ali no lugar dela, do que a vendo sofrer naquele estado.
-O que aconteceu meu amor?-peguei de leve em sua mão-eu nunca vou me perdoar por isso, era para mim te proteger e cuidar de você, mas eu me descuidei e sei lá como você foi parar naquele maldito carro, e tudo isso aconteceu-eu já chorava uma enxurrada-me perdoa meu amor? volta pra mim, eu só te peço para voltar-dizia segurando forte em sua mão gélida e o unico barulho ali dentro daquele quarto era o constante pi... pi... pi... do aparelho e meu choro de dor
Ela era tão linda, tão minha, quantas as vezes eu beijei aquela boca, toquei aquele corpo e a fiz minha, só minha, mas agora ela estava ali naquela cama em coma, e só Deus sabe até quando ela vai ficar ali, minha esperança é que ela saia logo daquela situação, mas algo dentro de mim sente que não vai ser tão fácil assim e talvez minha ultima lembrança dela seja essa. Uma mulher entrou no quarto me dizendo algo e me apontando a porta, tudo foi tão rápido, mal pude a ver direito, e já teria que sair, a dei um beijo na mão e outro na testa, mesmo com aquela mascará e a mulher pareceu me repreender, mas não entendia o que ela falava então ignorei.
-Eu não vou sair de perto de você meu amor, fica com Deus, eu te amo-a disse bem perto de seu ouvido, e já sentia a mulher me puxar
Mesmo morrendo de vontade de ficar ali grudado nela, eu tive que sair, estava perdido para onde ir mas Rebecca me esperava na porta e me guiou até onde estavam minhas roupas e eu pude me trocar.
-Como esta?-perguntou já prevendo a resposta
-Mal-disse com a voz embargada pelo choro-eu não sei como isso foi acontecer, eu não acho nenhuma explicação para isso
-Eu espero que você fique bem logo, pois precisa tratar sobre a transferência da sua mulher, ela só pode ficar 24 horas aqui no hospital, pois vocês não são do país e existe muita burocracia para quem é de outro país, principalmente os brasileiros
-Então vou ter que transferir minha mulher para outro hospital?
-Sim, se for aqui em Paris mesmo, terá que ser um particular, e olha é bem caro, ou então se preferir a transferir para o Brasil o sistema custa milhões como eu já havia te dito, e é mais arriscado, mas você tem que decidir o que é melhor para você e a sua família-só ai me lembrei que fiquei o dia todo sem falar com ninguem do Brasil, e todos deviam estar morrendo de preocupação
-Olha eu tô muito cansado e não sei nem como ainda estou de pé-a disse a realidade-vou voltar para o hotel onde estávamos hospedados, tomar um banho e já volto para cá com a resposta
-Tudo bem-ela assentiu
Ia saindo do hospital, quando Rebecca me parou.
-Quer uma carona? parece que você não se da muito bem com o Francês, e um táxi com alguem que te entenda a essas horas no seu estado vai ser dificil
-Mais uma vez obrigado, e acho bom aceitar essa carona
Rebecca estava sendo bem gentil comigo, durante o caminho quase não trocamos palavras, e logo já estava em frente ao hotel onde estava hospedado. Quando entrei naquele quarto, fortes lembranças me invadiram, o cheiro dela parecia estampado ali em cada canto, e vendo algumas coisas dela espalhadas pela cama só fez meu coração doer mais, lágrimas e mais lágrimas rolavam, me sentei na cama e abracei algumas peças de roupas dela que encontrei, aquele cheiro era meu vicio, e demorei me recompor para finalmente ir tomar um banho e decidir o que fazer da minha vida, afinal estava tudo em minhas mãos, e eu não queria fazer o melhor para mim, mas sim o melhor para ela, não queria arriscar a vida da minha mulher, então durante o meu banho pensava em todas as possibilidades, e por fim já havia tomado a minha decisão.
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